A empresa Makro, uma das principais cadeias de grossistas da Venezuela, anunciou esta segunda-feira a instalação de um sistema de leitura de impressões digitais nos seus supermercados para limitar a quantidade de produtos que os clientes podem adquirir.

«Tomámos esta decisão para evitar as compras excessivas por parte de alguns clientes. Temos tido que abrir embalagens ou pacotes de 18 quilogramas para assim poder satisfazer as necessidades de seis pessoas», disse o vice-presidente da empresa aos jornalistas.

Segundo Giovanny Malvestuto, as limitações vão começar em dois estabelecimentos de La Guaira e Guatire (Grande Caracas), onde a receção de produtos como a carne e o frango tem sido menor do que é habitual.

«No entanto, a esta data, há itens com maior distribuição em comparação com 2014, por exemplo a farinha de milho pré-cozida (mais 50%) e o detergente em pó (mais 12%)», explicou, sublinhando que a população deve estar tranquilia ao fazer compras.

Na Venezuela são cada vez mais frequentes as queixas dos cidadãos quanto às dificuldades para conseguir alguns produtos básicos, como fraldas para bebés, sabão em pó e detergentes, toalhas femininas, papel higiénico, desodorizantes, lâminas de barbear, shampoos e sabonetes.

Também farinha de milho pré-cozida, óleo, café, arroz branco, açúcar, leite em pó e homogeneizada, entre outros.

Muitos estabelecimentos comerciais registam, desde o início de janeiro, longas filas de pessoas, que pretendem comprar os produtos mesmo antes de serem colocados nas prateleiras.

A elevada afluência, conflitos entre clientes e a denúncia de assaltos nas filas de espera levaram o Governo a condicionar os acessos aos supermercados, principalmente quando chegam produtos escassos.

Sábado o presidente Nicolás Maduro acusou os distribuidores de produtos de, em quatro dias, terem imposto uma guerra psicológica, que levou 18 milhões de pessoas a irem fazer compras aos serviços comerciais públicos e privados, «três vezes mais do que em qualquer (outra) circunstância».