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Itália sem Governo: e agora?

Italianos foram às urnas, distribuíram o poder e ficaram sem Governo

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   |   2013-02-26 20:06

As eleições em Itália trouxeram pelo menos uma clarificação. Os italianos não querem Monti, nem uma política de austeridade. Esta é para já a grande conclusão do voto dos eleitores, uma vez que todas as outras ilações estão ainda minadas de incerteza.

A coligação de esquerda italiana, liderada por Pier Luigi Bersani, obteve a maioria dos assentos na câmara baixa, mas a coligação de centro-direita, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, venceu no Senado, ainda que sem maioria.

Entre os dois grandes partidos ficou o Movimento Cinco Estrelas, liderado pelo ex-comediante Beppe Grilo, que conseguiu 25% dos votos dos eleitores. O suficiente para mergulhar o país num período pós-eleitoral sem vencedor declarado.

Todas as conversas sobre Itália vão parar a «surpresa», ou talvez não, do resultado eleitoral e da influência que poderá ter o Movimento Cinco Estrelas numa solução governativa ou na convocação de novas eleições.

«O sucesso do Movimento Cinco Estrelas foi além das expectativas. Não era previsível, mas considerando a falta de liderança na política nacional acabou por alcançar um resultado muito positivo», defendeu ao tvi24.pt o italiano Marco Lisi que é atualmente professor e investigador de ciência política do Instituto de Ciências Sociais de Lisboa.

«Grillo conseguiu captar os mais jovens e pessoas que tradicionalmente não se identificam com a classe política tradicional», defendeu. Já Goffredo Adinolfi, investigador formado em Milão, atualmente no CIES-ISCTE, aponta também outras razões.

«O facto de existir a ideia de que o centro-esquerda iria ganhar permitiu que o voto de protesto fosse para o Movimento Cinco Estrelas», explicou e lembrou: «É preciso não esquecer que, no último ano, o clima em Itália foi terrível especialmente com o aumento do desemprego. Há um clima de fortíssima instabilidade, até com a demissão do Papa, o que levou as pessoas que tinham dúvidas entre votar num partido respeitável ou num voto contra, escolhessem o último».

Beppe Grilo que à partida surge como um ex-comediante cuja credibilidade poderá ser posta em causa, soube, sobretudo através das redes sociais, aumentar a sua base de apoio.

«Grillo põe em causa uma certa maneira de fazer política e conseguiu captar um movimento descontente de quem não queria mais do mesmo. Grillo é uma alternativa algo credível, preparada, que tem um grupo de pessoas a trabalhar com ele. E foi por isso que ofereceu uma alternativa de descontentamento sustentável», defendeu ao tvi24.pt um outro italiano em Portugal, Marco Ginoulhiac, professor de Arquitectura na Universidade do Porto.

A alternativa política em Itália parece agora passar pela inclusão de Grillo no arco governativo. Uma solução de cedência sempre negada em campanha eleitoral, mas que pode ser a única forma de evitar uma crise prolongada ou novas eleições. Bersani, líder do centro-esquerda, já veio defender que sejam assumidas responsabilidades e pedir para que Grillo «diga o que quer».

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