Grégory tinha quatro anos quando foi encontrado morto, afogado no Rio Vologne, na com as mãos e os pés atados. Eram 21:15 do dia 16 de outubro de 1984. O corpo de Grégory foi encontrado em Docelles, a seis quilómetros de sua casa, em Lépanges.

Até hoje, o mistério em torno dos autores da morte de Grégory permanece. Mas pode agora estar mais perto de ser resolvido. O caso foi reaberto e foram chamados a depor vários membros da sua família.

O Procurador-Geral do Tribunal de Recurso de Dijon deu, esta quinta-feira, uma conferência de imprensa, um dia depois de ter ordenado a detenção de várias pessoas. Entre elas, estarão dois tios-avós do menino (tios de Jean-Marie Villemin, o pai do menino), Jacqueline Jacob, 72 anos, e Marcel Jaboc, 71 anos, que permanecem detidos e se recusaram a prestar declarações, invocando o direito a permanecer em silêncio. Ainda assim, foram formalmente acusados, esta sexta-feira.

Eu não vim aqui para vos dizer que resolvi o caso. Não sei quem é o autor do crime”, começou por dizer Jean-Jacques Bosc, citado pelo jornal Le Figaro.

O procurador adiantou, contudo, o que levou as autoridades a chamar, na última quarta-feira, vários membros da família Villemin a depôr. O magistrado evocou umas cartas, alegadamente contendo ameaças, enviadas aos avós e ao pai do menino, em 1983. Uma carta em particular terá despertado a atenção dos investigadores. Essa carta foi escrita à mão e conduziu a investigação a Jacqueline Jacob, uma das suspeitas. Pode ser ela, a tia-avó do menino, a autora dessa carta.  

Há ainda uma outra carta, enviada no dia do crime. É uma espécie de carta de reivindicação. Os investigadores ainda não chegaram aos autores dessa missiva, mas encontram semelhanças entre ela e as cartas recebidas pelos avós e pelo pai de Grégory em 1983.

As autoridades ouviram também os avós de Grégory, bem como o pai da vítima. Uma tia da criança terá também sido ouvida. Todos, à exceção dos tios do pai do menino foram colocados em liberdade. As autoridades ainda não fecharam o caso, mas trabalham agora sobre a hipótese de serem eles, os tios-avós de Grégory, os responsáveis pelo crime e acreditam que terão agido por vingança ou por inveja, supostamente por causa de uma promoção no trabalho dos pais de Grégory.

Jean-Jacques Bosc acredita que a criança terá sido raptada e mantida em cativeiro durante algum tempo. Assume não ter ainda como provar que o agora casal de idosos tenha sido o autor material do homicídio, mas acredita que, sem o rapto, não teria havido morte.

As reviravoltas do caso

O caso de Grégory já fez correr muita tinta na região de Vosges. Na altura do crime, os responsáveis pela investigação chegaram a deter Bernard Laroche, um homem próximo da família, que terá sido denunciado por uma cunhada. Porém, Bernard foi libertado, três meses depois, por falta de provas.

Ainda assim, convencido da culpa do amigo, Jean-Marie Villemin, pai do menino, matou-o a 29 de março de 1985, com um tiro de caçadeira. Jean-Marie chegou a estar preso, por causa deste crime, durante quatro anos. 

A própria mãe de Grégory chegou a ser suspeita, antes de ser completamente ilibada, em 1993, por “total ausência de provas”.

De acordo com o Le Figaro, o caso voltou a ser reaberto em 2000, novamente encerrado, e de novo reaberto em 2008. Nas duas reaberturas, foram realizados testes de ADN, que não deram em nada.

Nesta nova reabertura, quase 10 anos depois, foram usados novos métodos de investigação. As cartas voltaram a ser analisadas a pente fino por peritos em caligrafia. Terão sido analisadas mais de 400 provas de ADN e duas mil cartas. As provas agora recolhidas levam os investigadores ao casal de tios-avós do menino, que, através da advogada, recusam qualquer responsabilidade no crime.