A ex-deputada socialista Elena Panaritis, indicada pelo ministro grego das Finanças para negociar com o FMI, rejeitou, esta segunda-feira, o cargo, depois de a sua nomeação ter deixado o Syriza, partido no poder, à beira de um ataque de nervos.

A economista, que fez parte da equipa do anterior Governo de coligação pelo PASOK, votou favoravelmente a entrada da troika em Atenas e, consequentemente, as políticas de austeridade que o Syriza, e em concreto o seu líder, o primeiro-ministro Alexis Tsipras, sempre condenaram.

“Como não pedi para ser nomeada, e uma vez que aceitei apenas para ajudar o Governo com a minha experiência junto do FMI e de entidades semelhantes, torna-se impossível para mim aceitar o convite perante a reação negativa de vários deputados e responsáveis do Syriza”, escreveu Panaritis em comunicado, no qual agradeceu a Yanis Varoufakis pela nomeação e ao primeiro-ministro pelo apoio.

“O país atravessa um dos períodos mais difíceis e precisa de estar unido. Vou continuar a ajudar nas negociações dentro das minhas possibilidades e apoiar o Governo até que a Grécia esteja livre dos memorandos da troika”, concluiu.

A nomeação de Elena Panaritis gerou a forte contestação de 43 dos 149 deputados do Syriza e reações de muitos quadros do Governo.

“Uma personalidade que representa a política (de austeridade) do memorando não pode representar o atual Governo, cujos princípios e valores são completamente diferentes", afirmaram os deputados numa carta aberta, publicada no domingo pela agência de notícias grega ANA.

Também o ministro das Finanças foi visado pelas críticas, mas, ao contrário do que sucedeu com Elena Panaritis, Varoufakis garantiu, através da rede social Twitter, estar firme no cargo: “Os rumores da minha demissão iminente são (pela enésima vez) largamente prematuros...”