Yanis Varoufakis utilizou novamente o seu blogue pessoal para revelar o discurso que fez na reunião do Eurogrupo deste sábado, onde acabou por ver rejeitado o pedido de extensão do programa de resgate à Grécia.
 
Na introdução do texto, o ministro das Finanças grego considera que este não foi “um momento de orgulho” para a Europa e criticou os colegas europeus por terem recusado a ideia de um referendo às propostas dos credores.
 

“A própria ideia de que um governo consultasse o seu povo numa proposta problemática das instituições foi tratada com incompreensão e até com desdém, na fronteira com o desprezo. Perguntaram-me mesmo: ‘Como espera que as pessoas normais entendam matérias tão complexas?’”

 
Segundo Varoufakis, o presidente do Eurogrupo “rompeu com a convenção da unanimidade”, emitindo um comunicado sem o seu “consentimento”, e tomou “a decisão duvidosa” de convocar uma reunião sem a sua presença, colocando a democracia em último lugar.
 
No discurso que fez na reunião, o ministro grego enumerou as “poderosas razões” para ter rejeitado a última proposta das instituições, destacando a “combinação entre austeridade e injustiça social”.
 
Yanis Varoufakis chegou a admitir que a última proposta do governo grego também era “austera”, para “tentar chegar mais perto de um acordo”. Só que, destacou, esta proposta tentava “transferir” os esforços para os mais ricos, exemplificando com o aumento das contribuições das empresas em alternativa aos cortes nas pensões.
 
“Até mesmo a nossa proposta contém muitas partes que a sociedade grega rejeita”, afirmou, salientando que seria difícil esta passar no parlamento grego.
 
Para Varoufakis, o problema foi as instituições terem “insistido” em medidas mais gravosas para “os membros mais fracos da sociedade”, sem oferecer uma “perspetiva” de “tranquilidade” ou “otimismo” para os próximos tempos.
 
Ainda assim, o governo grego considera que não teria mandato para recusar a proposta e que, portanto, decidiu levá-la a referendo, prometendo acatar a decisão dos gregos como vinculativa.
 

“Muitos de vós aconselharam-nos a fazer a pergunta de ‘Sim ou Não ao euro’, mas deixem-me ser claro. A pergunta será ‘Aceita a proposta das instituições tal como foi apresentada a 25 de junho no Eurogrupo?’”

 
O apelo final de Varoufakis não convenceu, mesmo assim, os restantes ministros das Finanças europeus.
 

“Colegas, recursarem a extensão do programa por mais umas semanas, com o propósito de dar aos gregos uma oportunidade para avaliar em paz e sossego a proposta das instituições, especialmente dada a alta probabilidade de eles a aceitarem (contra o conselho do governo), vai danificar permanentemente a credibilidade do Eurogrupo.”