Para a maioria dos portugueses, Bruno Maçães será apenas um membro discreto do Governo. Com 40 anos, o académico, licenciado em Portugal e doutorado nos Estados Unidos da América começou como assessor de Pedro Passos Coelho e há dois anos foi nomeado secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

Bruno Maçães representa o país em constantes reuniões em Bruxelas, na Alemanha e pela Europa fora. Uma presença física mas também virtual porque Maçães está em força nas redes sociais da internet e tem uma conta, muito ativa, no Twitter.

Na sua página pessoal, escrita em inglês, Maçães aparece de fato e gravata, identificando-se pelas funções oficiais como Secretário de Estado de Portugal. E é aqui que tem expressado opiniões fortes sobre o novo governo da Grécia.



Pouco depois da vitória do Syriza nas eleições de 25 de janeiro, Bruno Maçães deixou a pergunta:
 
«Se quiser resolver a crise do euro confia em quê: no erro e tentativa, experimentados por muitos ao longo dos anos…ou em alguma teoria?»

Noutro tweet nota: «As taxas de juro da Grécia regressaram ao valor de há dois anos»
 

Ou com sarcasmo, diz: «Afinal algumas pessoas não são entusiásticas do marxismo académico»
 

«Num dia de declarações bizarras, a palma vai para o ministro das Finanças grego, que anunciou a bancarrota de Itália»
 

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Através do Twiter e da internet, Bruno Maçães é lido e está em contacto permanente com os jornalistas internacionais. E é citado frequentemente em alguns dos mais importantes e influentes jornais europeus.

E alguns deles notaram o tom virulento com que Maçães fala sobre a Grécia.

Diz Hugo Dixon, jornalista da agência Reuters: «É muito importante apreciar como [os governos] português e espanhol são hostis ao Syriza»
  Responde Alan Beattie, do Financial Times: «Será realmente surpreendente? Um acordo especial conseguido pela esquerda grega iria destruir a sua credibilidade. Um perdão de dívida pareceria muito bom ao eleitor português»
 

Peter Spiegel, chefe de delegação do FT em Bruxelas recorda: «Os portugueses também foram muito anti-Renzi [o novo primeiro-ministro italiano] e a sua flexibilização das regras orçamentais: isso mina-os horrivelmente em casa»
 
Aos olhos do mundo, pelo menos virtual, as opiniões de um secretário de estado transformam-se em posição oficial do Governo que, por sua vez, acaba por ser confundida com a opinião geral dos portugueses sobre a Grécia.

Nada que iniba Maçães que, afinal, nos quer avisar sobre um perigo maior:

«Aquilo que vocês têm de compreender sobre os revolucionários em qualquer lado: eles querem que as coisas fiquem pior. Isso cria as condições objetivas para a revolução»
 
Em novembro de 2013, aquando da visita de Bruno Maçães à Grécia, a imprensa helénica classificou o secretário de Estado dos Assuntos Europeus de «o alemão».

Dois diários publicaram artigos de opinião a expressar surpresa com a proximidade do discurso de Maçães à posição alemã e sublinhando a falta de solidariedade com os Estados-membros que defendem uma estratégia diferente da alemã.