O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou esta terça-feira que a tentativa de golpe de estado de 15 de julho "foi escrita a partir do estrangeiro" e acusou os países do Ocidente de “apoiar o terrorismo” e os golpistas.

Este golpe de Estado não foi um evento planeado apenas no interior. Os atores agiram no país segundo um cenário que foi escrito a partir do estrangeiro”, disse, acusando o clérigo Fethullah Gülen, no exílio nos Estados Unidos, de ser o mentor do golpe.

O líder turco revelou que a Turquia entregou previamente uma lista de 4.000 militantes que são procurados, mas não obteve qualquer resposta.

Infelizmente, o Ocidente apoia o terrorismo e coloca-se ao lado dos golpistas. Aqueles que imaginávamos serem os nossos amigos tomam o partido dos golpistas e dos terroristas”, afirmou ainda durante o discurso no palácio presidencial em Ancara.

Erdogan insurgiu-se ainda contra a decisão, por parte das autoridades alemãs, de interditar a transmissão por videoconferência, no domingo, de um discurso presidencial destinado a partidários turcos concentrados em Colónia.

Para prevenir novas tentativas de golpe, o governo turco prevê dividir os serviços secretos em duas secções: uma para a espionagem exterior e outra para a vigilância interna depois da tentativa de golpe de julho, de acordo com o jornal Hurriyet.

O chefe de Estado queixou-se do tempo que o serviço demorou para informá-lo do golpe.

A tentativa de golpe de estado fez 265 mortos, mais de metade civis. Entretanto já foram detidas seis mil pessoas suspeitas de envolvimento e o governo diz que as operações vão continuar.