A modelo alemã Gina-Lisa Lohfink alegou ter sido drogada e violada por dois homens que filmaram o sucedido e publicaram as imagens na Internet. Após prestar queixa, no passado mês de janeiro, o juiz responsável pelo caso multou-a.

Apesar de ter condenado os homens ao pagamento de 1350 euros à alegada vítima, por terem filmado o momento sem o consentimento da mesma, o magistrado considerou que a modelo prestou falso testemunho e multou-a em 24 mil euros.

Justifica o magistrado que o "não" - gritado por Gina-Lisa Lohfink - que se ouve nas imagens divulgadas, apenas se refere à gravação do vídeo e não ao sexo. Assim, a queixa apresentada foi considerada falsa.

Na Alemanha, o caso divide opiniões e incentivou campanhas do pedem que sejam redefinidos os limites da agressão sexual e ressalvando que: “não significa não!”.

A atual lei alemã considera que dizer “não!” ao sexo não é suficiente para que este seja considerado um ato forçado e que a vítima deve apresentar sinais físicos evidentes de resistência.

Terei de ser morta primeiro? Será que aí as autoridades vão perceber?”, questiona-se Lohfink perante a Der Spiegel.

Apuradas as opiniões, os resultados mostram que cerca de 86% da população alemã é favorável a uma maior rigidez da legislação relativa a agressões sexuais.

Talvez também devido a este caso, já se notam esforços dos juristas alemães, relativamente a alterações feitas na legislação dos crimes sexuais, e que pretendem incluir agora a resistência verbal como uma prova de agressão sexual.

Precisamos de um reajustamento da legislação relativa a crimes sexuais para que finalmente a auto-determinação sexual seja protegida incondicionalmente na Alemanha. ‘Pára!’ é claramente suficiente”, declarou Manuela Schwesig, Ministra alemã dos Assuntos Familiares, ao Spiegel Online relativamente ao caso de Lohfink.

O caso de Lohfink, além de ter dividido opiniões, gerou um turbilhão de críticas contra a própria modelo que, nas redes sociais, é caracterizada como uma loira platinada manipuladora de atenções que seduziu dois homens e falsamente os acusou de violação.

Mas outras visões do sucedido também existem e tornou-se viral um movimento de apoio à vítima através da utilização do hashtag #TeamGinaLisa. Defensores criticam aqueles que ofendem o caráter e a personalidade da modelo, em artigos e comentários feitos nas redes sociais, relativamente ao cabelo platinado e aos implantes mamários.

Estão agendadas manifestações junto ao tribunal de Berlin para dia 27 de junho, dia em que é reaberto o caso de Lohfink, para demonstrar apoio à modelo alemã e apelar a uma legislação sobre crimes sexuais mais justa.