O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al-Hussein, acusou, nesta quarta-feira, o regime sírio de planear “o apocalipse” no país, onde o conflito iniciado há quase sete anos entrou numa "nova fase de horror”.

Este mês, é Ghouta Oriental que é descrita pelo secretário-geral [da ONU, António Guterres] como um inferno na Terra. No próximo mês, ou no seguinte, será noutro local que as pessoas vão enfrentar o apocalipse, um apocalipse intencional, planeado e executado por indivíduos que trabalham para o Governo, aparentemente com total apoio dos aliados estrangeiros”, afirmou o responsável, na apresentação do relatório anual do Alto-Comissariado no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Al-Hussein considerou “urgente inverter esta tendência catastrófica e denunciar [o conflito] ao Tribunal Penal Internacional (TPI)”.

A decisão de levar o caso ao TPI cabe ao Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, tem direito de veto.

Desencadeada em março de 2011 pela repressão de manifestações pacíficas contra o regime, a guerra na Síria fez até agora mais de 340.000 mortos, mais de um milhão de feridos e milhões de deslocados.

Agora, “o conflito entrou numa nova fase de horror”, afirmou Al-Hussein, apontando “o gigantesco derramamento de sangue em Ghouta Oriental […], a escalada da violência na província de Idlib […] Afrine, onde a ofensiva lançada pela Turquia ameaça grande número de civis […] e a região de Damasco”, onde os habitantes da zona controlada pelo regime enfrentam uma nova escalada de ataques terrestres.

O gabinete do Alto-Comissário documentou mais de 1.000 ataques aéreos e terrestres em 2017 e numerosas violações dos direitos humanos cometidas por todas as partes: as forças do regime e milícias aliadas, os grupos rebeldes, atores internacionais e grupos extremistas como o Estado Islâmico.