A Unicef publicou, esta terça-feira, um comunicado em branco porque está "sem palavras" depois dos ataques de segunda-feira em Ghouta Oriental, perto de Damasco, onde pelo menos 100 pessoas morreram, entre as quais 20 crianças e adolescentes, noticia a agência EFE.

O documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, intitulado "A Guerra contra os menores na Síria", só contém uma frase do diretor da Unicef para o Médio Oriente e Norte da África, Geert Cappelaere: "Nenhuma palavra fará justiça aos menores assassinados, às suas mães, aos pais e aos entes queridos".

O resto da nota permanece em branco, ainda que, no rodapé da página, a agência da ONU refira e questione: "Já não temos palavras para descrever o sofrimento dos menores e a nossa indignação. Aqueles que infligem o sofrimento ainda têm palavras para justificar esses atos bárbaros?".

Veja aqui a nota da Unicef

Pelo menos 100 pessoas, entre as quais 20 menores e 15 mulheres, perderam a vida, na segunda-feira, devido aos ataques aéreos e de artilharia do Governo sírio contra Ghouta Oriental, o principal bastião opositor ao regime do presidente Bashar al-Assadnos arredores de Damasco. Os números constam de um novo relatório do Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

O diretor do Observatório, Rami Abdel Rahmane, disse à agência France-Presse que este é, desde 2015, o registo mais sangrento de baixas civis num dia de combates naquela região.

O enviado especial da ONU na Síria alertou esta terça-feira que a crescente violência no enclave de Ghouta pode transformar-se numa repetição da batalha por Aleppo, segunda cidade da Síria, que sofreu meses de bombardeamentos no final de 2016.

Isto corre o risco de se tornar uma segunda Aleppo, e nós retirámos, espero, lições disso", disse Staffan de Mistura à agência Reuters.

A Coligação Nacional Síria, a principal formação da oposição no exílio, com sede na Turquia, denunciou uma "guerra de extermínio" que é levada a cabo no Leste de Ghouta. Num comunicado, a mesma coligação criticou ainda o "silêncio internacional" contra "crimes" das forças leais a Assad, numa guerra que devasta a Síria há quase sete anos.

Os ataques a civis "devem parar já", apelou por sua vez, também em comunicado, o coordenador da Nações Unidas para a Ajuda Humanitária, Panos Moumtzis.