Uma mulher com dupla nacionalidade, britânica e iraniana, deverá ser condenada a um ano de prisão por ter tentado assistir a um jogo de voleibol masculino.

Ghoncheh Ghavami, de 25 anos, foi considerada culpada de «fazer propaganda contra o sistema em vigor», segundo as declarações do seu advogado, Mahmoud Alizadeh Tabatabaei, que já terá lido o veredicto dos juízes, apesar de a sentença ainda não ter sido oficialmente anunciada.

Ghavami é advogada de profissão e foi detida em junho, num estádio em Teerão, no Irão, depois de ter tentado assistir ao jogo de voleibol masculino entre o Irão e a Itália.

No Irão, as mulheres não podem assistir aos jogos masculinos, mas Ghavami terá tentado entrar no estádio, juntamente com outras 12 mulheres, para protestar contra essa proibição, de acordo com a Amnistia Internacional.

Apesar de ter sido libertada algumas horas depois, Ghavami acabou por ser novamente detida passados alguns dias, tendo sido transferida para o estabelecimento prisional de Evin, conhecido por albergar prisioneiros políticos e jornalistas. 

Além das mulheres que tentaram assistir à partida, também as fotógrafas foram expulsas do estádio, apesar de não terem sido presas.

De acordo com a Amnistia Internacional, no início deste mês Ghavami começou uma greve de fome. O irmão, de 28 anos, Iman Ghavami, afirmou que a jovem tinha sido colocada numa solitária por 41 dias e que a família está devastada com a situação.

«A família mal se consegue aguentar. Estão devastados, não apenas os meus pais, mas também os meus avós, os meus tios, toda a gente», disse ao «ITV News».

No Facebook, já existe uma página que pede a sua libertação. Por outro lado, o caso tem despoletado alguns protestos noutros encontros de voleibol. Mas um porta-voz do governo iraniano, Gholam Hossein Mohseni Ejehi, afirmou que este era um caso «que nada tinha a ver com o desporto».