Se nos democratas a corrida à nomeação para 2016 pode ser um pouco aborrecida (Hillary, tudo indica, já ganhou), no campo republicano a coisa está a animar.

Mesmo sem ter ainda sequer oficializado a sua candidatura, Jeb Bush começa a ser o ponto comum das discussões da direita americana.

E isso, para o irmão do 43.º Presidente dos EUA e filho do 41.º inquilino da Casa Branca, é bom – até nas situações em que está a ser criticado. Porque quer dizer que a opinião geral aponta para que Jeb seja o candidato mais forte para desafiar Hillary na eleição geral.

Enquanto as sondagens vão confundindo mais do que esclarecendo (ora aparece Bush à frente, ora surge Rubio, Walker ou até Ben Carson e Mike Huckabee), as movimentações das diferentes candidaturas indicam o antigo governador da Florida como o alvo a abater.

É claro que alguns candidatos mais à direita (sobretudo Ted Cruz e Mike Huckabee) vão acelerando nos seus argumentos radicais que colocam a religião e uma leitura literal da Constituição americana como prioritárias na agenda das respetivas candidaturas, mas só terão estes meses de arranque para o fazer.

Quando se aproximarem as primeiras votações (Iowa e New Hampshire, daqui a oito meses), a irracionalidade política tende a diminuir.

Chegará a hora da «economia, estúpido», mas desta vez é provável que também apareça o… «foi o Iraque, estúpido».

Marco Rubio, animado pela subida pós-anúncio formal da sua candidatura, lançou o isco ao declarar: «Se soubesse que não havia armas de destruição maciça e fosse na altura presidente, não teria ordenado a invasão do Iraque».

Conseguida a descolagem com o pior do legado Bush, Rubio teve o cuidado de reduzir danos: «E acredito que o então presidente George W. Bush também não o teria feito».

A intenção do jovem senador da Florida foi clara: encostar Jeb ao constrangimento de ter que se posicionar em relação à decisão mais polémica e desastrada do irmão.

Jeb Bush, ainda não muito refeito do deslize linguístico («quando for candidato…»), tem hesitado na sua avaliação sobre o Iraque.

Perante a acusação de uma estudante universitária, durante uma sessão pública, de que o irmão «criara o ISIS», ao «ter enviado jovens soldados para a morte em nome do excecionalismo americano», Jeb Bush replicou: «Discordo respeitosamente disso. Quando saímos do Iraque, foi mantida segurança, a Al Qaeda foi afastada. E tínhamos um acordo que o atual presidente podia ter assinado que teria mantido dez mil soldados lá, menos dos que os que temos na Coreia. Esse acordo podia ter mantido a estabilidade que levaria ao progresso no Iraque. O resultado foi o oposto. Imediatamente, esse vazio foi preenchido».

O desvio de responsabilidades para os anos Obama é evidente: «Podemos reescreve a história do modo que quisermos. Mas a grande verdade é que estamos numa posição de muito maior risco agora, desde que os americanos saíram do Iraque».

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»