A Polícia Federal brasileira encontrou, esta terça-feira, malas e caixas cheias de dinheiro num apartamento que aparentemente era usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, que está em prisão domiciliária e é acusado de corrupção.

O dinheiro, ainda não quantificado, estava guardado em, pelo menos, oito grandes malas e cinco caixas, de acordo com fotografias divulgadas pela Polícia Federal após uma operação na cidade de Salvador, capital do estado da Baía, onde Geddel Vieira Lima mora.

As autoridades explicaram que chegaram ao apartamento graças a informações recolhidas durante uma investigação de corrupção, segundo a qual foi descoberto que a propriedade era usada habitualmente pelo ex-ministro, embora ainda não esteja claro quem é dono do apartamento.

O ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, é suspeito de atrapalhar as investigações de fraudes na liberação de créditos do banco público Caixa Económica Federal.

A prisão foi pedida por elementos da Força-Tarefa da Operação Greenfield, uma investigação policial que apura desvios de recursos de fundos de pensão, bancos públicos e estatais do Brasil.

Num comunicado, a Procuradoria da República do Distrito Federal informou que a prisão do ex-ministro tem como fundamento elementos reunidos a partir de informações fornecidas pelo ex-banqueiro Lúcio Bolonha Funaro, o empresário Joesley Batista e o diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva.

O ex-ministro também é acusado de "atuar no sentido de assegurar que ambos [Eduardo Cunha e Lúcio Funaro] recebam vantagens indevidas" para não confessarem a participação em crimes nem fornecerem informações sobre esquemas de corrupção dos quais ambos têm conhecimento.

A Procuradoria da República do Distrito Federal destacou ainda que Geddel Vieira Lima estaria a monitorizar o comportamento de Luiz Funaro para constrangê-lo e evitar que ele fechasse um acordo de colaboração com a Justiça brasileira.

O ex-ministro é um dos políticos brasileiros envolvidos na Operação Cui Bono, iniciada em 13 de janeiro deste anos para apurar irregularidades cometidas na Caixa Econômica Federal.