O Estado Islâmico recrutou mulheres para aderirem à causa e criou a Fundação Zora, uma espécie de escola que oferece dicas, conselhos e receitas, sendo um guia para as mulheres lidarem com o terrorismo «domesticamente» e ajudarem os maridos jihadistas.
 
Como as mulheres não podem combater, o seu objetivo é casar com os combatentes jihadistas, tornarem-se mães e serem boas esposas. Como o grupo islâmico quer ter a certeza que as mulheres também trabalham arduamente pela causa, e que não se tornam em meras donas de casa, criou a Fundação Zora para as orientar e ensinar.
 
Charlie Winter, investigador da Fundação Quilliam, disse que a organização visa aqueles que querem sair para apoiar o grupo e as mulheres que já estão lá fora. «É uma espécie de uma diretriz sobre como ser um bom defensor da jihad e desempenhar um bom papel a apoiar o seu mujahidin como esposa», esclareceu o investigador.
 


O canal do YouTube da Fundação Zora publicou, recentemente, um vídeo a anunciar as habilidades que pretende ensinar. Através de uma animação clip-art, aparecem máquinas de costura, uma mala de primeiros-socorros, eletrodomésticos e livros. O único «trabalho manual feminino» que é considerado aceitável é costurar e criar propaganda online.
 
«O vídeo fala sobre enfermagem e administração de primeiros socorros, a preparação da comida, os livros de Deus, a ciência sharia e a preparação das mulheres para a contribuição para a jihad», explicou Winter ao The Independent.


 
«Fala ainda sobre cursos para aprender a fazer apresentações de slides e editá-los, para poderem fazer propaganda», acrescentou o investigador, dizendo também que as mulheres incentivam os homens a aderirem, envergonhando os muçulmanos que não se juntam ao movimento.
 
O website também contém conselhos de saúde, como o jogging («Continue a aumentar a distância todos os dias, a fim de não ser um fardo para os seus irmãos jihadistas»), ou assistir a vídeos de primeiros-socorros («Tente praticá-los na sua irmã mais nova»).
 
De acordo com o site, a fundação está mais «interessada em cintos explosivos e bombas suicidas do que num vestido branco ou um castelo». A última publicação é de uma receita para um snack que se pode comer «entre batalhas», que contém «calorias significantes e irá melhorar o poder e a força dos ‘mujahideen’».
 
A fundação, que já tem quase três mil seguidores no Twitter, é arábica e por isso não dá conselhos às mulheres dos combatentes estrangeiros que, de acordo com as publicações no Twitter, estão mais interessadas em Nutella e M&M.
 
As mulheres também mostram a sua adesão à causa escrevendo no Twitter publicações como: «Casamento na terra de jihad: até que o martírio nos separe», que informa potenciais noivas jihadistas: «Nós não temos fogo-de-artifício, mas celebramos os casamentos com tiros.»