Um casal de Madrid vai conseguir chamar “Lobo” ao filho recém-nascido, depois de um recuo da Direção Geral dos Registos e do Notariado de Espanha e após dias intensos de batalha.

A história ficou conhecida através da plataforma de petições online change.org, que os acompanhou neste processo desde o nascimento da criança, no passado dia 12 de julho, no Hospital Universitário de Fuenlabrada, na região de Madrid.

A petição por “Lobo” reuniu perto de 25.000 assinaturas.

Para esta quinta-feira é esperada o deferimento do recurso, depois de contactados pela autoridade para se deslocarem ao Registo.

“Estamos esgotados, mas estamos muito perto de conseguir o nosso objetivo”, contou o pai, Ignacio Javierre, acompanhado da mulher, María Hernández, à agência de notícias Efe, agradecendo a “todos os anónimos e à comunicação social que deram expressão” à sua causa.

Foram apoiados por muitos mas também condenados. “Criticaram-nos e insultaram-nos por queremos dar esse nome ao nosso filho”, contou.

Até o líder do Podemos, Pablo Iglesias, se manifestou a favor de "Lobo" nas redes sociais, dizendo que era um nome "bonito e digno".

Logo após o nascimento do menino disseram-lhes que não podiam chamar Lobo ao filho por ser um apelido comum em Espanha, mas contestaram a decisão. Na segunda-feira passada deram-lhes três dias para mudar o nome, caso contrário um juiz atribuiria um.

O volte-face foi confirmado à Efe pelo próprio diretor geral dos Registos e do Notariado, Javier Gómez Gálligo, que assumiu o recuo na decisão de não aceitar Lobo como nome próprio.

Segundo uma resolução de 2005 não se pode pôr como nome próprio um apelido, pelo que para o diretor geral o funcionário do Registo Civil de Fuenlabrada “não procedeu mal, apenas deu cumprimento a uma norma”, que, adiantou, vai mudar os seus critérios, uma vez que, neste caso, “os usos sociais converteram Lobo em nome e que muito colocaram-no como segundo nome para evitar a proibição”.

Por cada 400 mil nascimentos por ano, a Direção Geral recebe uma média de 1.000 recursos por causa de nomes.