A Europa decidiu privatizar parte da vigilância aérea do Mediterrâneo para as operações de resgate de migrantes naquela que é já considerada a maior “vala comum do mundo”, uma vez que já ali morreram 2004 imigrantes este ano.

A informação foi avançada por um diretor adjunto do programa europeu Frontex à radio espanhola, Cadena Ser. Segundo o profissional, a Agência Europeia de Fronteiras só recebeu cerca de 10% dos meios pedidos depois da crise de maio, o que é claramente insuficiente para patrulhar a chamada rota da morte, entre a Líbia e Itália.

“Em matéria de recursos humanos conseguimos apenas 12% do que precisamos, que é muito pouco. Em meios materiais, ou seja, barcos, carros, aviões, etc., só conseguimos 13% do que precisamos, mas quando chegamos aos dias de trabalho que esses meios nos oferecem não chegamos sequer aos 5% que precisamos. O cenário é realmente muito preocupante”, acrescenta a mesma fonte.


De acordo com a rádio, os membros da União Europeia não estão a enviar os meios técnicos e humanos que são necessários para cumprir as operações de resgate e controlo de fronteiras, que até agora resgataram mais de 160 mil pessoas este ano.

“Estamos a ter muitas dificuldades para responder às necessidades e aos desafios colocados pelo aumento da imigração irregular e a chegada de refugiados, mas não porque os fundos não sejam suficientes, mas porque não estamos a ser capazes de conseguir ofertas por parte dos Estados Membros quer a nível de equipamento técnico, quer como de recursos humanos. Na realidade, para cobrir de agosto até ao final do ano, fizemos um pedido em maio para que os membros nos ofereçam recursos materiais e humanos, mas recebemos uma resposta muito pobre e tivemos que relançar o chamamento com indicação de que necessitamos desesperadamente dos meios e a resposta é muito dececionante”, afirmou uma fonte próxima da Agência Europeia de Controlo de Fronteiras.


Assim a Europa teve mesmo de subcontratar serviços de patrulhamento externos, sobretudo de vigilância aérea, o que acaba por sair muito mais caro do que se fossem prestados pelos Estados membros. O recurso à segurança privada vai ocorrer entre setembro e o final deste ano.