Duas semanas depois dos ataques, a França lembrou, esta sexta-feira, as vítimas dos atentados de Paris naquela que é a primeira cerimónia formal de homenagem. 

O governo francês e várias personalidades de relevo da sociedade civil estiveram presentes na cerimónia, presidida por François Hollande e presenciada por um número estimado de duas mil pessoas, incluindo familiares das vítimas, apesar do boicote pedido à cerimónia, nas redes sociais, de contestação à inércia dos políticos franceses. 

Os ataques, a 13 de novembro, fizeram 130 vítimas mortais e mais de 300 feridos. 
 
As fotografias das vítimas foram projetadas num ecrã. François Hollande percorreu a parada de militares sozinho, perante o olhar dos familiares das vítimas. Os nomes e as idades dos mortos no massacre de 13 de novembro foram ditos de forma pausada. A média de idades não ultrapassa os 35 anos, de acordo com a correspondente da AFP no local.
 
Um voluntário da Cruz Vermelha ergue uma menina ao colo, recordando que muitas das vítimas eram pais e deixaram crianças órfãs.
Muitos dos feridos também assistiram à cerimónia, acompanhados por médicos e enfermeiros. Uma homenagem curta, já que o frio que se faz sentir em Paris, com cerca de três graus positivos apenas, não permite a permanência ali, com aqueles que assistiram ao discurso de Hollande embrulhados em cobertores. A cerimónia decorreu ao ar livre, no Monumento dedicado aos Inválidos de guerra. 

“A França não vai mudar e vai lutar pelos seus valores”, a garantia deixada pelo presidente francês no seu discurso.


“O que é que os terroristas querem? Dividir-nos?”, perguntou Hollande, para dar a resposta em seguida. “Não vão conseguir”. 

Mas, o presidente francês que carrega o peso de dois atentados no coração da França, no mesmo ano, por jihadistas, não quer “vingança”. O presidente destacou que a França é um país "tolerante". François Hollande falou em “patriotismo que se ganha com a resistência” e que o terrorismo será vencido “pela lei e pela democracia”. 

"Prometo que a França fará tudo para destruir o exército de fanáticos que cometeram aqueles crimes”, considerando “perverso que estes muçulmanos neguem a mensagem do seu livro sagrado”, disse François Hollande.

O inimigo que matou em Paris, é o mesmo que mata em Bamako, Tunis, Palmyra, Londres ou Madrid, num recado deixado àqueles que entendem que a segurança dos cidadãos franceses não foi tida em consideração pelo poder político quando resolveu bombardear alvos do Estado Islâmico na Síria.

O presidente francês acrescentou que estas pessoas seguem “um culto da morte” e “nós temos amor pela vida”.

“Hoje, apesar das lágrimas, esta geração tornou-se o rosto da França”.


Uma França de luto vestida de vermelho, branco e azul


Mesmo para aqueles que não estiveram presentes, a homenagem fez-se à distância e as redes sociais permitiram-lhes estar perto daqueles que perderam os seus, seguindo o apelo de François Hollande para que, neste dia, as cores da bandeira francesa se fizessem notar. 
 
 

Didn't have a flag so I did what I could. #hommagenational #prayforparis

Uma foto publicada por Clemence (@clemence_mercy) a





Mesmo a AFP seguiu o apelo do presidente francês.