Portugal está a participar da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, com peregrinos, voluntários e até emigrantes portugueses pouco ou nada ligados à Igreja Católica que abriram suas casas para abrigar jovens estrangeiros.

«Chegámos há 15 dias e já fizemos várias atividades. Neste período oficial da Jornada vamos ajudar a administrar [as visitas] no Pão de Açúcar, auxiliando nas filas e com informações», contou à Lusa a portuguesa Lúcia Morgado, professora de educação moral e religiosa que veio de Viseu.

Já a portuguesa Rita Rocha, que é imigrante no Brasil desde o ano passado, ofereceu a sua casa para vários peregrinos, transformando as noites numa espécie de «festa católica permanente».

«Temos uma tradição na família, os meus filhos já viveram fora e nós também já recebemos estrangeiros em casa, para mim não há qualquer problema, gostamos de receber», contou Rita.

As suas hóspedes são duas meninas africanas, do Zimbábue, que chegaram ao Brasil esta semana para participar na Jornada. As duas jovens estavam a dormir em colchões num espaço paroquial do Jardim Botânico.

Já o português João Silveira, que reside em Roma, é católico praticante está a atuar como voluntário no centro de imprensa, auxiliando os jornalistas que fazem a cobertura do evento.

Nesta quinta-feira, João Silveira terá o privilégio de acompanhar a visita do Papa Francisco à comunidade de Varginha, no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro.

Peregrinos portugueses contentes com acolhimento brasileiro

Mais de 500 peregrinos portugueses estão no Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude, com grande expectativa para o encontro com o papa Francisco e a sentir-se em casa com um acolhimento caloroso dos brasileiros.

«Estar a ser fantástico. Eu acho o Brasil maravilhoso, as pessoas recebem-nos muito bem. É diferente de como foi em Madrid, estou a gostar muito mais», afirmou a estudante Mariana Pinto, que está hospedada no Colégio São Paulo, no famoso bairro de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.

Para peregrinos, a emoção de estar tão distante de casa e, ao mesmo tempo ser acolhido por um povo irmão, que fala a mesma língua, é muito grande, acrescentou.

«É uma grande alegria estar do outro lado do Atlântico, com um povo que é um povo irmão, a viver as primeiras Jornadas em língua portuguesa, isso é também um grande marco», ressaltou a coordenadora do grupo de Aveiro.

Os preparativos para a viagem começaram vários meses antes, com a realização de eventos como feirinhas e arraiais para angariar fundos, além dos preparativos espirituais, com orações, retiros e reflexões.

Hospedados em diferentes regiões da cidade, os próprios peregrinos portugueses, oriundos de diversas regiões de Portugal também acabam por se conhecer melhor durante o evento e para eles, o encontro em terras estrangeiras tem um significado especial.

«Quando nos reunimos fora do país, como ocorreu também na última jornada, sentimos muito mais que somos um povo unido e capaz de caminhar dentro do próprio país, para trazer também alguma força para a Igreja portuguesa», ressalta o padre Pedro Rei, de Vila Real.

Ao todo, mais de 500 portugueses estão a participar das jornadas, que contam com a presença do papa Francisco. Apesar do mau tempo, a previsão é de que mais de 1,0 milhão de fiéis acompanhe as atividades que contarão com a presença do pontífice na orla da praia de Copacabana esta tarde, na zona sul do Rio de Janeiro, conta a Lusa.