O eurodeputado português Francisco Assis considerou esta segunda-feira que a vitória da oposição nas eleições parlamentares venezuelanas representa o início do fim do “chavismo” e alertou para o risco de conflitos nas ruas.

“Isto não significa ainda, em absoluto, o fim do ‘chavismo’. Creio que significa o início do fim desse período histórico e que as mudanças que vão ser introduzidas irão no sentido contrário”, sustentou à Lusa Francisco Assis, presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com os países do Mercosul.


Segundo o eurodeputado socialista, o risco que existe agora é o de se extremar um conflito entre a presidência e o parlamento.

“O risco é esse conflito transformar-se num conflito extra institucional, nas ruas. Se isso acontecer, há o risco de aumento da degradação do ambiente político e social, aumento da violência. Nesse sentido, é muito importante que haja contenção de parte a parte”, acentuou.


Assis defendeu que a vitória da oposição venezuelana no sufrágio de domingo mostra uma clara vontade de mudança e vai alterar o clima político naquele país.

“Significa uma clara vontade de mudança da orientação política do povo venezuelano. A assembleia nacional tem poderes e vai naturalmente exercê-los. Este resultado significa uma alteração do clima político na Venezuela”, salientou


A oposição venezuelana conquistou, no domingo, a maioria parlamentar pela primeira vez em 16 anos, anunciou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coligação da oposição, obteve 99 assentos – conquistando uma maioria de dois terços – contra 46 do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do Presidente Nicolás Maduro, anunciou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, numa aparição pública cerca de cinco horas depois do encerramento das urnas, quando a contagem dos votos ainda não terminou.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Assis salientou a forma “pacífica e ordeira” como decorreu a eleição.

“Em primeiro lugar, queria salientar a forma como decorreram as eleições, pois havia algum receio em relação à forma como poderiam decorrer, e decorreram de forma pacífica e ordeira”, disse.

Para o eurodeputado socialista, os resultados não foram uma surpresa, porque as sondagens já apontavam para uma vitória da oposição e porque a situação atual da Venezuela já o “prenunciava”.

“O país estava a atravessar uma gravíssima crise económica, social e um período de grande conflitualidade politica que extravasa muito [até as próprias instituições] e se manifesta nas ruas”, concluiu.