A contestação contra a Uber em França e noutros países não é nova, mas agora atingiu um novo patamar.

Os taxistas franceses não só iniciaram uma greve, como bloquearam o acesso a auto-estradas, aeroportos e estações de caminhos-de-ferro de Paris, Marselha e Aix-en-Provence, pelo menos. Na manhã desta quinta-feita, só era possível entrar e sair dos aeroportos de Paris através de comboio.

Nalguns casos, o protesto tornou-se violento. Taxistas atacaram viaturas ao serviço da Uber e agrediram alguns condutores, obrigando à intervenção da força antimotim da polícia francesa. Imagens vindas de Paris mostram carros virados ou a arder, e estradas bloqueadas com pneus e outros objetos incendiados. Nalguns locais, a polícia foi obrigada a usar gás lacrimogénio para dispersar os taxistas e evitar mais violência.

A fúria dos taxistas franceses deve-se à expansão da Uber, uma empresa norte-americana que oferece um serviço de transporte automóvel alternativo aos táxis. Graças a uma aplicação para telemóvel, qualquer pessoa pode pedir transporte a um condutor particular, que normalmente o fornece a um preço mais baixo do que aquele que é praticado pelos taxistas.
 
Os profissionais do setor acusam a Uber de concorrência desleal, e uma lei de 2014 deu-lhes razão ao proibir os clientes de usar condutores sem licença para este tipo de serviço. A Uber não aceitou à decisão, que vai ser agora analisada pelo Tribunal Constitucional francês.

Os taxistas é que não estão dispostos a esperar mais e partiram para a ação nesta quinta-feira. O responsável de uma empresa de táxis ouvido pela estação de televisão BFM TV foi taxativo:
 
"Somos confrontados com uma provocação permanente da Uber, para a qual só pode haver uma resposta: firmeza total na apreensão de sistemática dos veículos infratores".