O último balanço das autoridades francesas aos atentados na capital francesa "aponta para 129 mortos e 352 feridos, 99 dos quais estão em estado crítico", anunciou o procurador de Paris, neste sábado, em conferência de imprensa.

François Molins corrigiu, também, o número de terroristas mortos, que passou para "sete" e não oito, como inicialmente foi avançado.

O procurador francês disse que os seis ataques terroristas, concretizados em diferentes locais da cidade, como a sala de concertos Bataclan, o Estádio de França, restaurantes e esplanadas, foram perpetrados por "três equipas coordenadas".

Um dos atiradores do Bataclan foi identificado pelas autoridades como sendo Ismaël Omar Mostefaï, de 29 anos (fará 30 ainda este mês), nascido em Courcouronnes e conhecido da justiça por delitos comuns. Molins esclareceu que "havia indicações de radicalização" mas "não de filiação".
  O procurador revelou que junto ao Estádio de França foi encontrado um passaporte sírio "de um indivíduo nascido em setembro de 1990 (25 anos)", mas que "não é conhecido dos serviços de inteligência" franceses.
 
Os atentados foram “reivindicados por diferentes vídeos, um comunicado escrito e uma montagem sonora do Estado Islâmico”, todos “objeto de investigação” por parte das autoridades, afirmou o procurador.

François Molins especificou que "os sete terroristas usaram armas de calibre 7,62 [Kalaschnikov] e dispositivos de explosivos idênticos" e que "cada colete com explosivos tinha peróxido de nitrogénio e um dispositivo com bateria e detonadores".

Sobre os veículos utilizados, o procurador adiantou que “as testemunhas e o vídeo permitem ver um Seat preto e um Polo preto registado na Bélgica". "Este último foi alugado por um residente francês, que foi identificado esta manhã na fronteira da Bélgica a bordo de outro veículo, onde seguia com outras duas pessoas que residem na região de Bruxelas", acrescentou.

 

A cronologia dos acontecimentos


21:20: primeira explosão no Estádio de França.

21:25: “Às 21:25 de Paris, as pessoas que se encontravam no bar Le Carrillon e no restaurante Le Petit Cambodge foram alvos de tiros de kalachnikov disparados de dentro de um veículo do tipo Seat Leon. A esta hora, o balanço dava conta de 15 mortos no local.

21:30: uma segunda explosão na porta H do Estádio de França. No local, foi descoberto um corpo de um segundo suicida com um dispositivo semelhante ao do primeiro bombista da porta D.

21:32: em Paris, na esquina da rua Faubourg-du-Temple e da rua de la Fontaine-au-Roi, um novo tiroteio em frente ao bar “A La Bonne” faz cinco mortes e oito feridos graves. Os primeiros testemunhos identificam uma viatura preta da marca Seat.

21:36: no número 92 da rua de Charone ouvem-se novos tiros, disparados por suspeitos que chegam num Seat preto, que causam a morte de 19 pessoas. 

21:40: no restaurante “Comptoir Voitaire”, um bombista suicida faz-se explodir ferindo uma pessoa com gravidade e fazendo vários feridos ligeiros.

21:40: em Paris, um veículo de cor preto estaciona em frente ao Bataclan. Três indivíduos com armas de guerra saem do veículo e entram na sala de concertos, abrindo fogo em pleno concerto dos “Eagles of Death Metal” e fazendo como reféns os fãs que assistiam ao concerto. Segundo testemunhas, os terroristas conversavam sobre a Síria e o Iraque. Durante o assalto policial, os três terroristas foram mortos, o primeiro por um tiro das forças de segurança, os outros dois detonaram o cinto de explosivos. “A contagem de vítimas aponta, neste momento, para 89 mortos e muitos feridos”.

21:53: em Saint-Denis, a 400 metros do Estádio de France, na rua de la Cockerie, acontece uma terceira explosão provocada por um bombista suicida.