Era dia de festa em França. Comemorava-se a tomada da Bastilha. Em Nice, no Promenade des Anglais, milhares de pessoas reuniam-se para ver os fogos de artifício que assinalariam o dia de França. Um camião irrompe pelas ruas encerradas ao trânsito e avança sobre a multidão durante dois quilómetros. Matou 84 pessoas e deixou pelo menos 18 gravemente feridas. Há também notícias de outras dezenas de pessoas feridas com outros níveis de gravidade.

Miguel Cunha estava no Promenade des Anglais com os amigos. O camião parou a 30 metros dele. “Parou sozinho. Não sei como, se teve algum problema mecânico. Os tiros aconteceram 30 segundos ou um minuto depois. Só aí os polícias começaram a disparar de rajada contra o camião. Um polícia tentou tirar o camionista”, relata, em telefonema à TVI24.

Qualquer coisa fez parar o camião, mas não foi a polícia”, reforça.

O condutor do camião foi abatido pela polícia e desconhece-se se tinha cúmplices, bem como se está algum atacante em fuga, avançam as autoridades. No interior do camião estariam várias armas, o que demonstra ter-se tratado de um atentado planeado.

Maria João, uma portuguesa sobrevivente da tragédia

Maria João Patana também estava no local do massacre. Faz um relato emocionado do que viu:

Não há palavras, o momento que se vive aqui é de grande tensão. (…) A promenade estava cheia, cheia completamente... Famílias, crianças, animais por tudo o que era lado. Notei uma falta de policiamento na promenade. Eu moro mesmo em frente à promenade, ao lado do hospital pediátrico aqui em Nice, e não param de chegar ambulâncias, carros da polícia.”

 

Há famílias aqui na rua que estão à procura dos filhos menores. O momento que se vive aqui é de terror. Há gente na rua destroçada, completamente. Mortos sem pernas... é um momento de terror. Nice está em luto".

Também Cau Costa, outro português em Nice, relata à TVI24 um cenário de horror: “Havia vários corpos pelo chão, alguns já cobertos com toalhas ou panos brancos. Algumas vítimas ainda a chamarem por socorro. A minha tentativa de ajudar alguém acabou por se revelar infrutífera porque, de facto, as pessoas que se encontravam ali estavam numa situação em que já não havia muito a fazer por elas ou numa situação em que não conseguiam sair dali pelos seus próprios meios nem com a nossa ajuda."

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As imagens que chegaram através das agências noticiosas e também das redes sociais são devastadoras: há corpos cobertos com lençóis brancos espalhados pelo Promenade des Anglais, uma das zonas turísticas mais procuradas de Nice. Havia gente a fugir, em pânico. Mulheres. Crianças. 

"Vi corpos a voar como pinos de bowling"

Roy Calley vive a 200 metros do local da tragédia. Contou à BBC o "pandemónio" a que asistiu: "De repente, ouvi um estrondo gigantesco, como uma explosão ou uma colisão. Muitas pessoas gritavam e penso que a seguir se ouviram tiros."

Outro testemunho impressionante é o de Damien Allemand, em declarações ao Nice Matin: "Vi corpos a voar como pinos de bowling à passagem do camião. Ouvi barulhos e gritos que jamais irei esquecer." 

O Governo português não tardou a reagir. António Costa enviou mensagens de condolências ao Presidente francês, François Hollande, e ao seu homólogo, Manuel Valls.

O Governo português ativou também uma linha de emergência consular para prestar informações.

Também Marcelo Rebelo de Sousa enviou um telegrama de condolências a Hollande. No documento, Marcelo manifesta “condolências e ao mesmo tempo de solidariedade pelo bárbaro atentado acabado de cometer em Nice, exprimindo o pesar de todos os portugueses ao Presidente francês".

Barack Obama, Dilma Rousseff, Michel Temer, Justin Trudeau emitiram comunicados e colocaram mensagens nas redes sociais. Várias figuras mundiais manifestaram pesar e choque pela tragédia ocorrida em França.

O atentado não foi reivindicado, mas o SITE, que monitora online a atividade terrorista a nível mundial, adianta que vários sites de apoio ao Estado Islâmico não demoraram a celebrar o massacre e a emitir novas ameaças à França.