O Ministério Público francês pediu, esta terça-feira, a «absolvição pura e simples» Strauss-Kahn no crime de proxenetismo agravado do qual é acusado em França.

«Ao colocar na balança todos os elementos de acusação e de defesa, considero que nem a investigação criminal nem a audição permitiram estabelecer a prova da culpabilidade de Strauss-Kahn», declarou o procurador de Lille Frédéric Fèvre no Tribunal Correcional de Lille, no norte de França.

Dirigindo-se ao tribunal, o magistrado considerou que a «notoriedade» do antigo favorito socialista para a eleição presidencial de 2012 «não deve em caso algum ser uma presunção de culpabilidade». E questionou-se: «Um homem poderoso será necessariamente culpado?»

O ex-diretor do FMI já tinha negado as acusações em tribunal e afirmado que ignorava que as mulheres presentes nas festas sexuais em que participou eram prostitutas.

Na passada terça-feira, quando questionado pelo juiz Bernard Lemaire sobre se tinha «mudado de ideias» quanto à alegação de que ignorava tratar-se de prostitutas, um elemento chave da sua estratégia de defesa, o acusado respondeu: «Não». 

O tribunal correcional de Lille (norte de França) iniciou a 10 de fevereiro a audição do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional com a leitura de uma carta escrita pelo próprio aos peritos de psiquiatria encarregados de avaliar a sua personalidade.

«Não cometi nem crime nem delito», escreveu. 


Depois, em resposta aos juízes, Strauss-Kahn negou qualquer «atividade desenfreada», em alusão às festas sexuais organizadas por um grupo de amigos e com a presença de prostitutas, na origem do processo judicial que lhe foi movido e a 13 outras pessoas. 

«Quando se lê o despacho judicial fica-se com a impressão de uma atividade frenética», em que as datas se misturam sem precisão, afirmou Strauss-Kahn. «Não houve essa atividade desenfreada», disse. 


O principal elemento da acusação contra Strauss-Kahn são os testemunhos das prostitutas, que asseguraram que o político francês sabia, e não podia ignorar, que elas estavam ali por dinheiro.