Alguns meios franceses de comunicação social como a estação BFMTV e os jornais Le Monde e La Croix decidiram deixar de publicar fotografias dos autores de atentados "para evitar eventuais efeitos de glorificação póstuma" e para "não colocar vítimas e terroristas ao mesmo nível".

"Após o atentado de Nice, não publicaremos mais fotografias dos autores de massacres para evitar eventuais efeitos de glorificação póstuma", declara o diretor do Le Monde, Jérôme Fenoglio, num editorial publicado esta quarta-feira.

À AFP, Jérôme Fenoglio explicou que "não se deve esconder os factos ou a trajetória dos assassinos, e por isso não somos favoráveis a mantê-los no anonimato, mas as fotos não servem para descrever a trajetória deles".

"Tomamos a decisão ontem à noite [terça-feira] de não divulgar mais fotos de terroristas até nova ordem", anunciou à AFP Hervé Béroud, chefe de redação da BFMTV.

"A foto tem um caráter simbólico e emblemático" e "pode colocar no mesmo nível vítimas e terroristas", acrescentou Béroud.

O jornalista esclareceu que a BFMTV continuará a revelar o nome dos autores dos atentados.

Até porque "esse elemento foi divulgado em direto pelo procurador [da República em Paris, François] Molin”, justificou.

No mesmo sentido, o chefe de redação do jornal católico La Croix, François Ernenwein, disse à AFP que "só publicaremos o nome próprio e a inicial do apelido [do autor do atentado], e não a foto".

No Twitter, a emissora de rádio Europe 1 também anunciou que deixará de citar os nomes de terroristas em transmissões "para reconduzir ao anonimato os que se glorificam no terror".

Já o jornal progressista Libération não partilha o ponto de vista. Para o diretor-adjunto Johan Hufangel, manter no anonimato os autores dos atentados não é uma posição sustentável.

"Imaginem um artigo com os irmãos SA e BA, AA, FAM", declarou.

À AFP, o jornalista sublinhou que "o debate sobre a utilização da foto no jornal e no site do Libération é constante desde a existência do jornal".

"Publicar fotos de terroristas e glorificá-los não é a mesma coisa. Dabiq [a revista do grupo Estado Islâmico) glorifica", rematou.