O líder da esquerda radical francesa, Jean-Luc Mélenchon, defendeu este domingo a legitimidade das eleições presidenciais na Venezuela e descreveu como "fantoches" dos Estados Unidos os países que solicitaram a sua suspensão.

Em entrevista aos meios de comunicação social "LCI" e "RTL", Mélenchon insistiu que a data das eleições foi acordada com a aprovação do ex-presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

Segundo afirmou, "não é verdade que a oposição boicotou, porque há três outros candidatos" além do presidente cessante e favorito, Nicolás Maduro, e as eleições acontecem a partir da plataforma da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Além disso, também negou que a comunidade internacional não reconheça este processo eleitoral, uma vez que, na sua opinião "há uma série de países ‘fantoches’ dos EUA, que decidiram que estas eleições não lhes convêm."

O líder da França Insubmissa reconheceu que "há uma grande dificuldade na Venezuela", que tem origem principalmente na queda do preço do barril de petróleo."

Além disso, Jean-Luc Mélenchon denunciou que "houve uma crise terrível que vem de uma parte da oposição que é violenta" e que "criou uma situação tão explosiva" que levou o governo de Maduro a reagir e com a Assembleia Constituinte a convocar estas eleições presidenciais.

"Portanto, os problemas com as eleições estão resolvidos", concluiu.

França, como os seus parceiros na União Europeia, reprovou repetidas vezes o processo eleitoral na Venezuela por considerar que viola as regras de transparência e da justiça.

Os Estados Unidos qualificaram hoje de “ilegítima” a eleição presidencial na Venezuela, em que Nicolas Maduro procura a reeleição num escrutínio boicotado pela oposição.

“As supostas eleições que se realizam hoje na Venezuela não são legítimas”, escreveu a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, na sua conta no Twitter.

“Os Estados Unidos estão ao lado dos países democráticos por todo o mundo que apoiam os venezuelanos e o seu direito a eleger os seus representantes através de eleições livres e justas”, acrescentou.

A administração norte-americana tinha apelado a Maduro que suspendesse as eleições.

Mais de 20,5 milhões de venezuelanos são chamados hoje às urnas para eleger o Presidente da República, que dirigirá a Venezuela até 2025.

O chefe de Estado, Nicolás Maduro, deverá ser reeleito. As eleições foram boicotadas pela generalidade da oposição - a Mesa de Unidade Democrática, principal coligação da oposição, apelou à abstenção - e consideradas fraudulentas por vários países.

Para além de Nicolás Maduro, concorrem outros três candidatos: Henri Falcón (dissidente do chavismo), o pastor evangélico Javier Bertucci e o engenheiro Reinaldo Quijada.