O humorista franco-camaronês Dieudonné M’bala M’bala foi detido, esta quarta-feira, pela polícia francesa no seu domicílio, em Eure-el-Loir, cerca das 7:00, revelou à AFP uma fonte policial próxima do caso. Na segunda-feira, o Ministério Público de Paris tinha movido um processo contra o polémico humorista por se ter declarado «Charlie Coulibaly», associando os nomes do jornal atacado e do autor do atentado à mercearia judaica em Paris.
 
Dieudonné, que tem sido acusado de transmitir, nos espetáculos de humor, mensagens antissemitas, tinha escrito na página de Facebook:

«Je me sens Charlie Coulibaly» («Sinto-me Charlie Coulibaly», em português).


A frase faz referência ao massacre na redação do jornal satírico «Charlie Hebdo», do qual resultaram 12 mortos, mas usa o nome do jornal satírico com o apelido de Amedy Coulibaly, o responsável pelo sequestro e homicídio de quatro reféns num supermercado de produtos judaicos na porta de Vincennes, em Paris. Num vídeo divulgado após o ataque e consequente morte do sequestrador, abatido pela polícia, Coulibaly assumia estar sincronizado com os irmãos Kouachi, autores do ataque ao «Charlie Hebdo».
 
Foi também no Facebook que o humorista Dieudonné publicou no domingo, após a marcha antiterrorista em Paris, uma mensagem que acabou por apagar.

«Depois desta histórica, não, lendária, marcha… um momento mágico, igual ao Big Bang que criou o universo (…) vou para casa. Deixem-me dizer isto, esta noite: para mim, sinto-me um Charlie Coulibaly», escreveu Dieudonné, despertando várias respostas de condenação.


Sobre o caso, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que «é preciso não confundir a liberdade de opinião e o antissemitismo, o racismo e o negacionismo».

Dieudonné e Anelka fazem La Quenelle

Dieudonné já foi condenado várias vezes por antissemitismo. Em 2013, o humorista popularizou a quenelle, um gesto que lembra uma saudação nazi invertida, difundida milhares de vezes nas redes sociais. Ao longo da carreira, vários espetáculos em que participava foram cancelados.

Uma das primeiras polémicas em que se envolveu, em 2003, foi quando apareceu num espetáculo com adereços de judeu ultraortodoxo e um blusão militar num monólogo que acabava com a saudação nazi.

Jean-Marie Le Pen, fundador do partido de extrema-direita Frente Nacional e que também chegou a tecer comentários antissemitas, é padrinho de um dos filhos do humorista.