O FBI, agência federal de investigação policial dos Estados Unidos, afirma que o governo da Coreia do Norte é o responsável pelo ataque informático à Sony Pictures Entertainment. Um ataque que afetou seriamente a operacionalidade da empresa, levando ainda ao cancelamento da estreia do filme sobre o plano da CIA de assassinar o líder Kim Jong-un.

Num comunicado divulgado esta sexta-feira, e publicado pela agência Reuters, o FBI refere que reuniu informação suficiente para concluir que as autoridades de Pyongyang são responsáveis pelos atos criminosos que visaram a divisão que gere os estúdios de cinema da Sony. Embora não atribuindo a autoria do ataque ao governo norte-coreano, a agência federal responsabiliza o regime ditatorial pelo ataque.

Além do  malware utilizado ser semelhante ao que já tinha sido usado, em março, em ataques a bancos e meios de comunicação da Coreia do Sul, a investigação do FBI identificou o rasto de endereços IP associados à infraestrutura informática norte-coreana, o que permitiu concluir que o padrão habitual dos ataques cibernéticos vindos da Coreia do Norte coincide com o que foi utilizado para atacar a Sony.

No mesmo comunicado, o FBI refere que a natureza do ataque cibernético dirigido à Sony, tanto pela intencionalidade como pela natureza destrutiva, significam uma ameaça importante para a segurança de empresas e cidadãos dos EUA.
 

«Apesar do FBI estar a verificar uma grande variedade e um aumentar de ataques cibernéticos, a natureza destrutiva deste ataque, juntamente com a sua natureza coerciva, diferencia-o. (…) O ataque da Coreia do Norte à Sony Pictures reafirma que os ataques informáticos são uma das ameaças mais graves à segurança dos EUA», lê-se no comunicado.

 
O ataque feito pelos autointitulados «Guardiões da Paz» no final de novembro provocou, como explicou o FBI, a destruição de vários sistemas e o roubo de dados pessoais e comerciais da Sony Pictures. A rede informática da empresa ficou inoperacional.

O filme da Sony Pictures sobre o assassinato do líder norte-coreano Kim Jong-un terá estado na origem do ataque. Já em junho a Coreia do Norte ameaçou «retaliar sem piedade» os EUA se o filme «Uma Entrevista de Loucos» («The Interview», no título original) fosse estreado. Após o ataque, a Coreia do Norte negou a responsabilidade, mas elogiou o que chamou de «ato de justiça». Mas a suspeita sempre recaiu no governo norte-coreano, mesmo por parte da própria Sony Pictures.