No momento em que o uso do burkini – um fato de banho que cobre todo o corpo exceto a cara, as mãos e os pés – levou ao debate intenso em França, as mulheres da região de Qingdao, na China, continuam a usar um acessório que há vários anos dita a moda em algumas praias.

Se no caso do burkini se critica o facto de cobrir a maioria do corpo, o facekini aumenta a discussão.  Trata-se de um fato de banho fabricado com material elástico e que cobre todo o corpo dos banhistas, excetuando os olhos, narinas, boca e, em alguns casos, o cabelo.

Eu tenho usado facekini nos últimos 10 anos”, disse Wang Huimei, uma habitante de Qindao, que vai à praia quase todos os dias no verão.

Segundo Huimei, o grande objetivo deste acessório é tornar a ida à praia uma atividade mais confortável e lúdica. As águas na costa de Qindao tendem a ser frias e por isso é útil usar o facekini que protege a pele do contacto direto com a água.

Zhang Shifan, criadora do facekini

A designer chinesa Zhang Shifan diz ser a criadora deste fato de banho, que começou por ser vendido em Taobao – uma área florestal - desde 2007. Originalmente, o facekini foi criado para proteger as pessoas das picadas de medusa (um peixe venenoso).

A proteção dos raios solares era um objetivo secundário, mas agora é a razão principal para os meus clientes”, acrescenta Shifan.

A moda mantêm-se na China

Enquanto os vendedores de burkini viram o número de vendas a crescer, como resultado da discussão lançada por políticos franceses, a criadora do facekini afirmou ter dificuldades em vender o produto fora da China.

Temos tentado promover os nossos produtos além-fronteiras depois de imagens do facekini se terem tornado virais, mas não tem corrido bem. Temos só algumas encomendas da Austrália, Hong Kong e Taiwan”, afirmou.

Zhang vendeu cerca de 20 mil facekinis só neste verão. Em julho, foi lançada uma nova coleção inspirada no traje tradicional usado na ópera de Pequim e também outros acessórios cujo design tem origem em características de animais selvagens.

A peça de vestuário tem sido tema de conversa na China, sobretudo devido às imagens da última coleção, lançadas nas redes sociais esta semana. Alguns internautas elogiam a criatividade da designer, mas outros criticam e consideram um choque cultural.