Mark Zuckerberg voltou esta quarta-feira ao Congresso norte-americano para uma audição na Câmara dos Representantes, depois de ter estado mais de cinco horas no Senado esta terça-feira, e revelou que os dados dele também foram analisados pela Cambridge Analytica.

A congressista da Califórnia aproveitou o tempo para fazer perguntas enviadas pelos seus eleitores e fez várias questões de resposta de "sim" ou "não" ao CEO do Facebook, entre elas se o perfil de Zuckerberg também foi copiado. Zuckerberg confirmou que sim. 

Em seguida a congressista questionou sobre se o Facebook estaria disposto a mudar o seu modelo de negócio para proteger a privacidade dos utilizadores, mas aqui Zuckerberg foi evasivo: "Não sei o que a pergunta significa".

Ainda na sequência do diálogo com a congressista da Califórnia, Zuckerberg explicou que não falou com o CEO da Cambridge Analytica, apenas com o gestor de dados da empresa.

Zuckerberg mostrou-se "chateado" com aquilo que a Cambridge Analytica fez e referiu que o programador Aleksander Kogan que vendeu os dados à empresa já foi banido: "Já o banimos da plataforma e vamos-nos certificar que ele fica sem os dados a que teve acesso".

Durante a sessão, o CEO foi confrontado com questões que comparavam a campanha de Trump e a anterior de Obama, e explicou a diferença: "A grande diferença entre estes dois casos é que no caso Kogan as pessoas confiaram os seus dados a Kogan, mas ele vendeu-os a uma terceira empresa, desrespeitando a confiança dos utilizadores e as normas do Facebook. Agora sabemos que devemos ter uma plataforma mais retritiva onde as pessoas não devem estar associadas às informações dos seus amigos. Acho é que as pessoas estão muito chateadas porque um programador vendeu a sua informação e que nós não fizemos o suficiente para evitar isso."

Mais tarde referiu que a campanha de Trump não teve privilégios: "Aplicámos todos os nosos padrões a todas as campanhas".

Ao congressista Kinzinger, de Illinois, Zuckerberg assegurou que Facebook, Instagram ou WhatsApp avisam sempre as autoridades mal detetem ameaças e negou cedência de dados à Rússia: "Não tenho conhecimento específico de nenhuma informação que tenhamos dado à Russia".

Nesta sessão, as perguntas foram quase sempre sobre os mesmos temas, e Zuckerberg deu várias respostas semelhantes à sessão anterior.

O CEO da rede social voltou a dizer que concorda com a regulação digital, mas deixou um aviso: “A Internet está a crescer em importância no mundo e nas vidas das pessoas e é inevitável que haja alguma legislação, mas precisamos de ter cuidado com a regulação, porque às vezes as empresas que são maiores e que têm mais recursos podem facilmente cumprir com essa regulação, mas que uma pequena startup não”.

Zuckerberg anunciou ainda que até ao final de 2018, o Facebook pretende ter 20 mil pessoas a trabalhar na revisão de conteúdo, mas referiu também que nunca poderá prescindir de inteligência artificial: "Nenhum número de pessoas que possamos contratar será suficiente. Temos de confiar em sistemas de inteligência artificial”.

Outra das perguntas da sessão foi se russos e chineses não poderão tentar fazer o mesmo que a Cambridge Analytica. O CEO do Facebook diz que ainda não detetaram nenhuma "atividade" nesse sentido, mas revela que várias apps já terão tentado aceder a dados dos utilizadores.

Neste momento corre uma auditoria interna para perceber se houve mais "fugas" e Zuckerberg salienta: "Vai ser um processo dispendioso, mas é a coisa certa a fazer. Uma das maiores lições que aprendemos é que não podemos confiar apenas nas palavras dos programadores".

O congressista de Illinois trouxe a tema a possível gravação de chamadas pessoais por parte do Facebook, algo que foi negado por Zuckerberg. Larry Bucshon deu o exemplo de uma chamada que teve pela rede social com o filho sobre fatos e pouco depois apareceram-lhe anúncios de publicidade a fatos.

O CEO disse ser "uma coincidência" e que não tem nenhum contrato com empresas de marketing para esse efeito.