Uma mulher idosa deixou-se morrer à fome e à sede, depois de ter passado cinco semanas a tentar pôr um fim à vida. Com 86 anos, Jean Davies era uma defensora da campanha a favor do direito à morte com dignidade, no Reino Unido.

A antiga professora de matemática não tinha uma doença terminal, mas sofria de dores crónicas e desmaiava frequentemente. Para Davies, viver era «um inferno».

«É um inferno. Não consigo dizer quão difícil é. Ninguém decidia isto se não soubesse o quanto a sua vida seria má. É intolerável», afirmou, em declarações ao «Sunday Times».

A 16 de Setembro, a octogenária deixou de beber água. Passados poucos dias, ficou frustrada ao constatar que a morte ainda não tinha acontecido. Só duas semanas depois, mais concretamente no dia 1 de outubro, é que acabou por morrer.

Na entrevista ao «Sunday Times», Davies referiu que não tinha alternativa, senão deixar-se morrer à fome e à sede, uma vez que outros métodos «eram ilegais» e que não pretendia ir para clínicas no estrangeiro, pois queria morrer na sua própria cama.

A família da idosa apoiou-a nesta decisão.


No início do mês, o debate sobre a eutanásia e o suicídio assistido foi relançado no Reino Unido, depois de um médico australiano, Philip Nitschke, ter aberto uma «clínica» para aconselhar as pessoas que querem acabar com a vida.

A «Exit International» tem sido alvo de muitas críticas que a consideram como uma organização «potencialmente perigosa».

Nitschke afirmou que a mensagem que a organização pretende passar é a de que «agora, é mais fácil fazer a preparação para a morte»