A polémica em torno da morte por eutanásia de Eluana Englaro continua a dar que falar em Itália. As autoridades estão a investigar o médico anestesista, uma enfermeira e dois jornalistas por terem fotografado a jovem um dia antes de ela ter morrido, tendo já apreendido as fotografias, notícia a edição electrónica do jornal espanhol «El Mundo».

Eluana Englaro, que esteve 17 anos em estado vegetativo depois de ter sofrido um acidente de viação, acabou por falecer a 9 de Fevereiro, quando os médicos lhe suspenderam a alimentação e a hidratação artificial que a mantinham viva.

Os factos agora investigados pelas autoridades italianas tiveram lugar no dia 8 de Fevereiro. O «El Mundo» conta que o fotógrafo Francesco Bruni e a jornalista da RAI Marinella Chirico foram convidados pela família Englaro para assistir e contar ao mundo a situação em que a filha se encontrava.

Na clínica privada, no Norte de Itália, para onde Eluana foi transferida pela família, estavam também o anestesista Amato De Monte e a enfermeira de turno Cinzia Gori. Esta última está agora a ser investigada por suposta violação do Código Penal, noticiam os meios italianos de comunicação.

«Documentar» o estado de Eluana

Para além do repórter fotográfico, também o médico anestesista tirou fotografias de Eluana em estado vegetativo para as entregar à família Englaro.

Quanto à jornalista da RAI, justifica-se dizendo que as fotografias foram tiradas «para documentar de modo inequívoco o estado em que a jovem se encontra» e assim contradizer os comentários «falsos e inaceitáveis que se fazem em Itália sobre o seu estado de saúde».

Marinella Chirico acrescenta que a presença dela e das outras quatro pessoas no quarto de Eluana, um dia antes de a jovem ter morrido, «foi preventiva e expressamente autorizada». A jornalista apresenta como prova um documento assinado pelo tutor e pai de Eluana, Beppino Englaro, que lhe chegou às mãos através do médico anestesista.