Os líderes europeus começam esta terça-feira a negociar o próximo presidente da Comissão Europeia, com os resultados das eleições europeias a obrigarem a negociações complexas, especialmente entre os dois principais partidos, populares e socialistas.

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia vão reunir-se num jantar informal (cujo início está marcado para as 19:00, 18:00 em Lisboa), mas na carta convite endereçada aos líderes europeus, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy - confesso opositor ao novo sistema de apresentação prévia de candidatos à Comissão - sublinhou que ainda é «muito cedo para decidir sobre nomes».

O Governo português estará representado pelo primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que no domingo à noite, após serem conhecidos os resultados em Portugal assumiu a responsabilidade política pela derrota da Aliança Portugal, mas relativizou-a, alegando não ter sido tão grande quanto foi prognosticado.

Antes desta reunião, durante a tarde, decorrem as já habituais mini-cimeiras das duas maiores famílias políticas, o Partido Popular Europeu (PPE) e o Partido Socialista Europeu (PSE).

Nas eleições europeias, que terminaram no domingo à noite e cuja contagem dos votos ainda não está fechada oficialmente, o PPE, que integra o PSD e o CDS-PP, foi o mais votado, com mais 25 mandatos que o PSE, a que pertence o PS, que ficou em segundo lugar, de acordo com a projeção mais recente, divulgada esta terça-feira.

As duas maiores forças políticas da União Europeia perderam eurodeputados face às eleições de 2009 - o PPE elegeu 212, menos 61, e os socialistas 187, menos nove - e estão aparentemente obrigadas a um entendimento perante a ausência de uma maioria clara e o crescimento substancial dos partidos eurocépticos, nomeadamente de extrema-direita, em países como a França, a Dinamarca ou a Áustria.

A Aliança dos Liberais e Democratas para a Europa (ALDE), apesar de também ter perdido mandatos, mantém-se como terceira força, com 72 eurodeputados (menos 11), seguida pelos Verdes, com 55 (perdeu dois mandatos).

Estes quatro grupos reúnem 526 dos 751 assentos parlamentares europeus, contra os 612 que possuíam na legislatura que agora termina.

Tal como na noite de domingo, o candidato do PPE à presidência da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, voltou a reivindicar o direito a ser nomeado para o cargo, na sequência dos resultados, mas admitiu a necessidade de uma «grande coligação» com os socialistas.

Segundo o acordo estabelecido antes das eleições, cabe ao partido mais votado, o PPE, começar a ronda de negociações para a presidência da Comissão Europeia, mas a distribuição de todos os altos cargos europeus levará necessariamente a um processo complexo, já que em relação a 2009 a vantagem dos populares em relação aos socialistas é bastante mais curta.