Dirigentes da União Europeia e de vários países africanos concluíram esta quinta-feira uma cimeira sobre migrações aprovando um plano de 1,8 mil milhões de euros para reduzir o fluxo sem precedente de refugiados que atravessa o Mediterrâneo.

Segundo agências internacionais, os dois dias da Cimeira de Malta ficaram marcados por divergências acerca de um polémico plano para acelerar o repatriamento dos migrantes sem direito a asilo na UE.

Na conferência de imprensa final, o Presidente do Senegal, Macky Sall, criticou “o neocolonialismo” europeu e afirmou que os governos africanos não precisariam de ajuda financeira se tivessem acesso aos cerca de 60 mil milhões de euros de evasão fiscal de multinacionais e outros esquemas “fraudulentos”.

O acordo hoje alcançado responde em parte aos receios africanos de uma “Europa fortaleza”, ao apelar para a criação de mais vias legais de imigração para a UE, embora a única medida concreta nesse sentido seja o alargamento das bolsas de estudo e investigação para estudantes e académicos africanos na Europa.

O plano de ação será financiado com 1.878 milhões de euros de um “fundo de emergência” para projetos na área do desenvolvimento dirigidos às causas dos fluxos migratórios, como a pobreza, conflitos e repressão a que estão sujeitas milhões de pessoas deslocadas em África.

O fundo é financiado pelo orçamento europeu e por contribuições dos 28 Estados-membros, embora as promessas dos governos nacionais se tenham ficado, no seu conjunto, por 78,2 milhões de euros, menos que o esperado pela Comissão Europeia, que avança com os restantes 1.800 milhões.

A UE enfrenta um afluxo recorde de migrantes – 800.000 até novembro, quatro vezes mais que em todo o ano de 2014 -, mas mais de metade são refugiados da Síria. Os migrantes oriundos de África são cerca de 140.000, menos de um quinto do total.

Neste contexto, o Presidente senegalês disse que o dinheiro oferecido pela Europa "não é suficiente" para resolver os problemas de África e acusou a Europa de exagerar a dimensão da migração africana e de “dar demasiado ênfase à readmissão [de imigrantes ilegais], talvez devido às opiniões públicas”.

“E há também uma questão fundamental, filosófica: não podem insistir que os africanos sejam readmitidos nos seus países de origem quando acolhem sírios e outros. O número de africanos que migram para a Europa não é tão importante como alguns dizem”, afirmou.