As autoridades militares dos Estados Unidos da América admitem que mantiveram detido durante 13 anos, na prisão da base militar de Guantánamo, em Cuba, um islamita que confundiram com um militante que lutou com a Al-Qaeda no Afeganistão e que atuou em redes terroristas internacionais como mensageiro e como instrutor. A informação é divulgada pelo jornal britânico “The Guardian”.

Numa audiência judicial, que se realizou na terça-feira, em Guantánamo, as autoridades militares reconheceram que Mustafa al-Aziz al-Shamiri, de 37 anos, é na realidade um soldado raso iemenita e não um elemento da organização terrorista, como se pensava.

Com barba e vestido com uma T-shirt branca, acompanhado por dois representantes e um intérprete, o prisioneiro iemenita apareceu diante de um painel que vai decidir se deve ser libertado. Até à data, al-Shamiri não foi posto em liberdade porque os EUA acreditavam que era um prisioneiro muito perigoso e uma ameaça à segurança nacional.

Um perfil publicado pelo Departamento de Defesa dos EUA refere que Mustafa al-Aziz al-Shamiri lutou no Afeganistão e misturou-se com os membros da Al-Qaeda. Mas as autoridades admitem que acreditaram erróneamente que tinha um papel mais significativo porque foi confundido com outros que tinham um nome similar.

“Mustafa Abd-al-Qawi Abd-al-Aziz al-Shamiri (YM-434) lutou em várias frentes e jihadistas e associou-se com a Al-Qaeda no Afeganistão ", lê-se no perfil.

Um comunicado do representante pessoal de al-Shamiri descreve-o como muito cooperante e entusiasta. 

"Mustafa mostra que não é uma ameaça para os Estados Unidos. Ele está a preparar-se seriamente para a vida depois de Guantánamo. Durante o tempo na prisão, frequentou aulas de Inglês e de Arte, além de adquirir conhecimentos de carpintaria e de cozinha. Na última festa, Mustafa generosamente teve tempo para preparar mais de 30 pratos para os companheiros detidos”, refere o texto.

O comunicado acrescenta que "Mustafa arrepende-se de ter escolhido o caminho errado em início de vida. Mas acrescenta que, embora não possa mudar o passado, sem dúvida já escolheu um caminho diferente. Ele está consciente de que o Iémen não é uma opção e está pronto para ir para qualquer país disposto a aceitá-lo."