Rick Gates, que foi o ‘n.º 2’ da campanha eleitoral do atual Presidente dos EUA, declarou-se esta sexta-feira culpado das acusações de conspiração e falso testemunho na investigação à alegada ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016.

A admissão de culpa por parte de Gates pode ser a decisão prévia à colaboração com a Justiça norte-americana, com vista a almejar uma redução de pena.

Os documentos judiciais indicam que Gates pode enfrentar uma pena de entre 57 a 71 meses de prisão, mas o procurador especial que está a investigar o caso, Robert Mueller, pode pedir a sua redução, se se confirmar a sua colaboração.

Reunião sobre Ucrânia

Segundo a acusação apresentada por Mueller, pouco antes de Gates se declarar culpado, o consultor político mentiu aos investigadores federais sobre o conteúdo de uma reunião realizada em março de 2013, em que se discutiu a Ucrânia.

Gates mentiu deliberadamente ao negar que nesta reunião se discutiram assuntos ligados à política ucraniana, um encontro em que também esteve presente o ex-chefe da campanha de Trump Paul Manafort, um membro de um grupo de pressão (‘lobby’) e um congressista, adianta a acusação.

De acordo com o documento, Rick Gates mentiu às autoridades sobre o assunto em 01 de fevereiro, no mesmo dia em que os seus advogados desistiram de o representar.

Sete anos de prisão

O antigo assessor de Trump pode enfrentar uma pena de até sete anos de prisão, mas Mueller pode solicitar ao tribunal que reduza a pena, com base na cooperação prestada aos investigadores.

A data da sentença ainda não é pública, mas o tribunal marcou uma audiência preliminar para 14 de maio.

Gates, de 45 anos, inicialmente declarou-se inocente das acusações feitas contra si em outubro, incluindo lavagem de dinheiro. Hoje foram acrescentadas mais 32 relacionadas com fraude bancária.

Em comunicado emitido depois da mudança de posição de Gates, Manafort declarou: “Continuo a afirmar a minha inocência”.

Gates assume assim um papel fundamental nas investigações sobre a interferência russa, ao poder dar informação à equipa de Mueller sobre o envolvimento de Manafort ou outros assessores da campanha de Trump sobre o assunto.