O diretor da Agência Central de Informações (CIA, na sigla em Inglês) livrou-se na segunda-feira à justa de ser o primeiro nomeado para secretário de Estado norte-americano reprovado pela comissão de Negócios Estrangeiros do Senado.

A inversão de posição por parte do republicano Rand Paul no último momento permitiu a continuação do processo de confirmação de Mike Pompeo para o lugar que era ocupado por Rex Tillerson.

Esta comissão, que tem 21 membros, decidiu dar a sua recomendação positiva a Pompeo para o cargo por 12 votos a favor e nove – todos democratas – contra.

Um senador democrata, Chris Coons, eleito pelo Estado do Delaware, apoiou Pompeo, deixando claro que só o fazia por uma questão prática, para evitar ter de esperar até à meia-noite que chegasse um senador republicano ausente por motivos pessoais.

O voto final de confirmação deve ocorrer esta semana, no qual se espera que Pompeo obtenha a autorização do plenário do Senado.

Nunca antes um candidato à chefia da diplomacia dos EUA, um cargo cujo processo de confirmação costuma ter um apoio bipartidário maior do que o dos outros postos governamentais, tinha encontrado uma resistência tão grande do Senado.

Os seus críticos apontam-lhe a linha dura, as posições ultraconservadoras em temas como o casamento homossexual e, em geral, uma visão da política externa demasiado parecida à de Donald Trump, isto é, mais agressiva que diplomática.

Espera-se que o plenário do Senado confirme Pompeo, porque três eleitos democratas já anunciaram que iriam votar a favor.

São os senadores Heidi Heitkamp, eleito pelo Estado do Dacota do Norte, Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, e Joe Donnelly, do Indiana.

Os dois primeiros estão a disputar a reeleição nas eleições de novembro em Estados onde Trump venceu por ampla margem das eleições de 2016.

O apoio destes três senadores e de todos os republicanos garante a confirmação a Pompeo.

A surpresa veio, pouco antes de começar a sessão da comissão de Negócios Estrangeiros, do republicano libertário Rand Paul, um declarado opositor do intervencionismo dos EUA no mundo.

“Tendo recebido garantias do presidente Trump e do diretor Pompeo de que (este) está de acordo com o presidente nestes importantes assuntos, decidi apoiar a sua nomeação para ser o nosso próximo secretário de Estado”, escreveu na sua conta na rede social Twitter.

Rand Paul referia-se, como tinha já indicado, à opinião de Trump de que a guerra do Iraque “foi um erro”, que a “mudança de regime desestabilizou a região” e que os EUA devem “acabar com a intervenção no Afeganistão”.

Trump tinha expressado antes horas antes no Twitter o seu enfado com os “obstrucionistas” democratas que pretendiam votar contra Pompeo e a sua porta-voz, Sarah Sanders, mencionou diretamente Paul, o único republicano da comissão que tinha dito que ia votar contra.