É um dos mais mortíferos casos de tráfico humano dos últimos anos nos Estados Unidos. Pelo menos dez pessoas morreram e dezenas ficaram feridas dentro de um camião que transportava 39 imigrantes ilegais. O condutor foi formalmente acusado esta segunda-feira e pode ser condenado à pena de morte. A acusação revela o desespero vivido dentro do veículo: os migrantes não conseguiam respirar e usavam um buraco, à vez, para o efeito. 

James Matthew Bradley Jr., de 60 anos, natural de Clearwater, Flórida, era quem conduzia o camião, que foi descoberto num parque de estacionamento de um supermercado em San António, Texas, no domingo.

Quando as autoridades detetaram o veículo, após o alerta de um funcionário do supermercado, já oito pessoas estavam mortas, no seu interior. Dezenas, que se encontravam feridas, foram hospitalizadas. 

Esta segunda-feira, o número de vítimas mortais subiu para dez. E no mesmo dia, o condutor foi formalmente acusado de tráfico humano e compareceu, pela primeira vez, em tribunal.

Nesta primeira audição, Bradley não falou sobre o que aconteceu. Vai continuar detido, mas uma nova sessão já foi agendada para quinta-feira.

Apesar de não ter dito nada em tribunal, já sabe o que é que afirmou às autoridades quando o camião foi descoberto. As declarações de Bradley são referidas na acusação, que foi divulgada pela autoridades do Texas.

Ora, segundo este documento, o condutor afirmou que não sabia o que estava dentro do veículo. Bradley alegou que o camião tinha sido vendido e que o seu trabalho era levá-lo do Iowa até ao novo comprador, em Brownsville, no Texas.

Contou que só se apercebeu da situação depois de ter ouvido algumas pancadas fortes que o levaram a ir abrir a porta do camião. E ficou surpreso quando se deparou com muitos “hispânicos” dentro do veículo, alegou.

O que Bradley não explicou foi por que é que não contactou, nessa altura, os serviços de emergência. Mesmo sabendo que já aí havia pessoas mortas.

Segundo a acusação, Bradley pode ser condenado a pena de morte ou a prisão perpétua.

Mais, a acusação revela pormenores que deixam perceber as condições deploráveis em que viajavam estes imigrantes. O documento indica que os imigrantes usavam, à vez, um buraco do camião para respirar e que batiam com força nas paredes do veículo para pedir ajuda ao condutor, sem sucesso.

Um dos passageiros contou que ele e outros imigrantes tinham entrado nos Estados Unidos ilegalmente pela fronteira com o México e que foram conduzidos para aquele camião, que os levaria a norte de Santo António.

Entretanto, o presidente de uma empresa de camiões do Iowa confirmou à Associated Press que o veículo foi vendido a um indivíduo do México, em maio. E que James Bradley tinha sido contratado para levar o veículo a um ponto de entrega em Brownsville.

A CNN avança que mais de 100 imigrantes ilegais podem ter passado pelo camião durante a viagem, citando Thomas Homan, o diretor dos serviços de imigração norte-americanos.