O Canadá vai pedir desculpas e compensar com sete milhões de euros um antigo prisioneiro de Guantánamo, devido à forma como foi tratado durante o tempo que esteve detido. A informação é avançada por alguns jornais canadianos.

Omar Khadr, de nacionalidade canadiana, foi detido no Afeganistão, em 2002, quando tinha apenas 15 anos, e confessou ter matado um soldado norte-americano. Omar Khadr acabou por se tornar no mais jovem prisioneiro de sempre em Guantánamo. 

Em 2010, o Supremo Tribunal do Canadá considerou que os direitos de Omar Khadr tinham sido violados pelo governo canadiano, que partilhou declarações do jovem às autoridades do seu país com os Estados Unidos.

Ainda detido em Guantánamo, foi condenado, em 2010, a mais oito anos de pena, para além do tempo que já tinha cumprido. Na base da condenação, a morte do soldado norte-americano, que confessou às autoridades canadianas.

Em 2012, uma pequena vitória. A justiça determinou que Omar Khadr podia ser extraditado e cumprir o resto da pena no seu país, no Canadá.

Durante vários anos, os seus advogados tentaram, na barra do tribunal, conseguir que fosse reconhecido a sua condição de menor de idade na altura do ataque que vitimou o soldado. Finalmente, em 2015, uma semana antes de sair da prisão em liberdade condicional, o Supremo Tribunal do Canadá reconheu o facto.

Os advogados de Omar Khadr acabaram, depois, por interpor uma ação contra o governo do Canadá, alegando que os seus direitos, como prisioneiro, foram violados. Exigiam 13 milhões de euros.

Oficialmente, as autoridades não confirmam o acordo alcançado. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, está de visita à Escócia e, confrontado com o assunto, escusou adiantar pormenores.

"Há um processo judicial a decorrer há vários anos, antecipamos, tal como outras pessoas, que este esteja a chegar perto da sua conclusão.”

O caso de Omar Khadr não é único no Canadá. Por exemplo, em março deste ano, o governo pediu desculpa a três cidadãos canadianos que foram torturados na Síria, alegadamente, com a participação indireta das autoridades de Otava.

Antes, um engenheiro informático, Maher Arar conseguiu, em 2007, uma indemnização de sete milhões de euros. Esteve detido numa prisão em Damasco (Síria), em 2002, onde foi torturado, com base em informações do seu próprio país. Acabou por ser ilibado de todas as suspeitas.