O almirante, já retirado, que controlou a operação que conduziu à morte de Osama Bin Laden, disse hoje a Donald Trump para lhe retirar também a acreditação de segurança, como fez com o ex-diretor da CIA, John Brennan.

William McRaven justificou a sua ação de solidariedade com Brennan, dizendo que poucos norte-americanos fizeram tanto como este para proteger os EUA.

McRaven especificou a Trump que consideraria uma honra se este lhe retirasse a acreditação de segurança, para que possa acrescentar o seu nome à lista de pessoas que criticaram a sua presidência.

Este almirante divulgou a sua posição numa carta aberta publicada hoje no Washington Post.

Brennan afirmou que acredita que a campanha de Trump conluiou-se com os russos e que este lhe retirou a sua acreditação para “silenciar outros que queiram desafiá-lo”.

Em artigo de opinião publicado hoje no The New York Times, Brennan citou várias notícias como prova de que a alegação de Trump de que não houve conluio é “lavagem para porcos”. Para o ex-chefe dos serviços de espionagem norte-americanos mais conhecidos, a única questão é a de saber se o conluio “constitui conspiração passível de ser considerada crime”.

Na quarta-feira, Trump revogou a acreditação de segurança de Brennan, justificando a decisão com a afirmação de que este é responsável pela investigação do procurador especial Robert Mueller à interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas.

Brennan escreveu: “Claramente, Trump está desesperado para se proteger e aos seus próximos, razão pela qual tomou a decisão, politicamente motivada, de revogar a minha acreditação de segurança, na tentativa de silenciar outros que pensem em desafiá-lo”.

Trump ligou a sua decisão à investigação liderada por Mueller àquela interferência russa e a eventuais ligações com a organização da sua campanha eleitoral.

Em entrevista ao The Wall Street Journal (WSJ), Trump apontou Brennan como uma das pessoas que acredita serem responsáveis pela investigação de Muller.

Este jornal avançou que Trump entendeu que esta investigação é “uma caça às bruxas, “uma vergonha” e que aquela revogação era “uma coisa que tinha de ser feita”.

Trump ordenou também a revista de nove outras acreditações, adiantando ao WSJ que “não tem confiança em muitas das pessoas nessa lista”, das quais pensa que não são “boa gente”.