O Estado Islâmico (EI) está a endurecer as ameaças contra os ocidentais. Numa nova mensagem áudio, de 42 minutos, o alvo agora são canadianos, americanos, australianos e «outros europeus». Sejam militares ou civis: «Não vão sentir-se seguros, nem nos vossos quartos», avisa o porta-voz do EI, Abu Muhammad Al-Adnani, citado pela NBC News e pelo National Post.

Os rebeldes jihadistas vão mais além no tom de ultimato, ameaçando ataques dentro dos próprios países da aliança militar que se formou para combater o grupo terrorista: «Não se vão sentir seguros, mesmo nos vossos quartos. Vão pagar o preço quando esta guerra der o colapso, e depois disso vamos golpeá-los na vossa terra natal, e nunca mais serão capaz de prejudicar ninguém», afirma o porta-voz dos extremistas.

Não é, no entanto, claro que o EI tenha capacidade de atacar além da faixa de terra que tomou como sua, no Iraque e na Síria. Ainda na semana passada, uma suposta tentativa de decapitação na Austrália foi facilmente intercetada pela polícia, que prendeu os suspeitos.

A nova mensagem áudio é mais uma forma dissuasão dos oponentes, com mensagens de apoio aos guerrilheiros jihadistas: «Confiem em Allah, e matem-nos de qualquer maneira (...). Matem o descrente, seja ele civil ou militar, pois tomam as mesmas decisões», ouve-se na mensagem. «Mata um infiel, americano ou europeu - especialmente um rancoroso e imundo francês - ou um australiano ou um canadiano, cidadãos dos países que participam na coligação internacional contra o Estado Islâmico», exige Abu Mohamed al-Adnani- A mensagem foi difundida em várias línguas, segundo a AFP.

Sem surpresas, há mais chamadas de atenção a Barack Obama e tentativas de o ridicularizar. Segundo a tradução da empresa de segurança Flashpoint Partners, a gravação qualifica o Presidente dos EUA de «vil» e de «mula dos judeus». E não se fica por aí: acusa-o de ser «mais tolo» do que o antigo presidente George W. Bush.

Esta reação dos rebeldes surge dias depois de o Congresso dos EUA ter votado favoravelmente o treino e armamento de rebeldes sírios moderados para combater contra o Estado Islâmico. Os norte-americanos já realizaram mais de 170 ataques aéreos dirigidos aos jihadistas.

Aparentemente, nada que demova os rebeldes do EI, que ampliaram a sua campanha de propaganda terrorista. «Vocês serão derrotados», prometem.

Este domingo morreram pelo menos 42 civis - entre eles, 16 crianças e 11 mulheres - no território sírio controlado pelos rebeldes, no noroeste do país, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. Em apenas três dias, mais de 130 mil sírios fugiram para a Turquia.

A Europa reforçou o alerta contra o terrorismo. Cinco pessoas foram detidas por suspeitas de ligação ao Estado Islâmico. As polícias holandesa, belga e turca participaram na operação conjunta que incluiu apertada vigilância sobre uma célula terrorista com ligações a grupos jihadistas na Síria, inclusivamente ao EI.

Entretanto, ontem, a mulher de Alan Henning - o britânico e quarto refém dos jihadistas que aparece no final do vídeo da morte de David Haines - fez um apelo aos rebeldes para que libertem o marido.