A cidade de Ramadi, no Iraque, foi libertada da ocupação do autoproclamado Estado Islâmico (EI) pelo exército iraquiano em dezembro de 2015. Agora foram divulgadas imagens de satélite, pela Associated Press (AP), antes e depois da ocupação, que tinha começado em maio do ano passado.

As fotografias, captadas em maio de 2015 e em janeiro deste ano, mostram edifícios, estradas e pontes que outrora faziam parte do quotidiano de um milhão de habitantes, e agora estão reduzidos a escombros.

Em nove meses, a coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos da América, tinha largado mais de 600 bombas sobre a cidade.

Tudo o que eles deixaram foram ruínas”, disse Mohammed Hussein do exército iraquiano, à AP, cujo batalhão foi o primeiro a entrar na cidade em Dezembro. “Não se consegue fazer nada com estes escombros”, concluiu.

Durante esse mesmo período, pelo menos 800 pessoas terão perdido a vida entre os combates, os ataques aéreos e as execuções.

Apesar da vitória sobre a ocupação no centro da cidade, fontes locais, citadas pela imprensa internacional, referem que ainda existem focos de resistência dos militantes do EI em Ramadi.

Por este motivo, as forças do Governo e da coligação internacional estão a repensar estratégias para expulsar de vez o EI daquela cidade, e encontrar também a melhor solução para recuperar Mosul, a segunda maior cidade do Iraque.

Deslocada regressa a casa [Foto: Reuters/3 abril 2016]

Quando, em dezembro, Ramadi foi parcialmente libertada milhares de famílias regressaram, na esperança de encontrarem as suas casas. Ao contrário do desejado, para além dos destroços, as ruas tinham sinais de morte, daqueles que não conseguiram sair a tempo e dos que tentaram resistir.

Com isto, há ainda muitos iraquianos que ainda não regressaram à sua cidade. Dezenas de milhares de habitantes de Ramadi vivem em campos provisórios ou com familiares em Bagdade. Vários estão escondidos nas aldeias próximas da cidade. E muitos vivem num campo de refugiados improvisado num resort perto de um lago a sul de Ramadi.

Para dificultar a retoma à normalidade possível, fontes oficiais estimam que o EI terá enterrado milhares de minas antipessoais e explosivos improvisados em toda a cidade. Uma empresa norte-americana começou a remover escombros em abril e, um mês depois, conseguiu limpar pouco mais que um quarteirão.