A mãe de Mohammed Emwazi reconheceu o filho assim que ouviu a voz do homem que segurava a faca no vídeo da decapitação do jornalista norte-americano James Foley, em agosto do ano passado. «É o meu filho», terá exclamado Ghania Emwazi, assim que ouviu o sotaque britânico do carrasco do Estado Islâmico.
 
Porém, de acordo com o jornal «The Telegraph», que cita investigadores kuwaitianos, Ghania não terá dito nada às autoridades, porque não tinha provas e porque não terá tido coragem.

Imagens retiradas dos vídeos onde alegadamente apareceu Jihadi John
 
Os pais de Mohammed saberiam das atividades do filho depois de o terem reconhecido como o homem do vídeo da decapitação de James Foley. É pelo menos isso que indica o testemunho do pai, Jassem Emwazi, às autoridades do Kuwait.
 
De acordo com o «The Telegraph», Jassem Emwazi e um outro filho foram ouvidos durante todo o dia, no último domingo, depois de terem sido convocados pela polícia do Kuwait.
 

«A mãe reconheceu a voz e gritou “é o meu filho”, enquanto ele falava, antes da decapitação do primeiro refém norte-americano. (…) Quando voltaram a passar o vídeo, o pai teve a certeza que era o seu filho», precisou uma fonte relacionada com a investigação no Kuwait. 


Durante o depoimento, no domingo, o pai de Mohammed mostrou-se «emotivo e abalado com o destino do filho».

«Espero, todos os dias, ouvir a notícia da sua morte», terá dito aos investigadores.

 
A família de Mohammed Emwazi vive agora em Al-Oyoun, um bairro próximo de Taima, a pouco mais de 30 quilómetros de Kuwait City. O último contacto com Mohammed terá sido em 2013, pouco tempo antes de ele viajar para a Turquia e depois para a Síria, onde, de acordo com o que disse aos pais, iria trabalhar na ajuda humanitária.
 

«Não sou um extremista»

  
O CAGE, uma organização de advogados ligada aos direitos humanos, sediada no Reino Unido e que trabalha sobretudo com comunidades apanhadas na luta contra o terrorismo, divulgou esta terça-feira uma gravação áudio datada de 2009 e que atribui a Mohammed Emwazi. Na gravação, o jovem conta que tinha sido interrogado pelos serviços secretos britânicos e queixa-se de ameaças do MI5.


 

De acordo com o indivíduo da gravação, identificado como Mohammed Emwazi, «Jihadi John» foi questionado sobre a sua opinião sobre os atentados de Nova Iorque e de Londres, assim como sobre a guerra no Afeganistão.
 

«Pessoas inocentes foram mortas. O que aconteceu era errado. Se eu tivesse oportunidade de trazer de volta essas vidas, fá-lo-ia», diz.

 
Apesar disso, os serviços secretos terão continuado convencidos que ele planeava viajar para a Somália para obter treino terrorista.
 

«Depois de tudo o que vos contei, vocês continuam a afirmar que eu sou extremista?», terá questionado então Mohammed, de acordo com a gravação agora divulgada pelo CAGE e citada pela SkyNews.

 
Além de James Foley, Mohammed Emwazi terá sido responsável pela morte de outros dois reféns norte-americanos, dois britânicos e dois japoneses. Mohammed nasceu em 1988, no Kuwait. Mudou-se com a família para o Reino Unido quando tinha apenas seis anos e cresceu num bairro de classe média na zona norte de Londres. 
 
Viveu num bairro de classe média da capital do Reino Unido e estudo na Universidade de Westminster, onde se formou em Engenharia Informática.
 
Foi para o Kuwait, onde trabalhou como comercial numa empesa de novas tecnologias. O antigo patrão descreve-o como «o melhor empregado» que já teve e mostra-se chocado com as notícias dos últimos dias.
 
Em emails trocados com um jornalista em 2010, Mohammed confessava que se sentia «um morto vivo» e queixava-se que já tinha pensado suicidar-se por causa das ameaças que havia recebido por parte de agentes do MI5.
 
O diretor do CAGE disse na última semana que o homem agora conhecido como «Jihadi John» era «o mais humilde jovem que já tinha conhecido».
 

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