O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Yang Jiechi, rejeitou hoje a caracterização do Dalai Lama como personalidade religiosa e defendeu que os outros países «não deviam autorizar» a visita do líder espiritual dos tibetanos.

O Dalai Lama, exilado há 50 anos na vizinha Índia, «não é, de modo nenhum, uma figura religiosa, mas sim política», disse Yang Jiechi.

«As divergências entre a China e o Dalai Lama não têm nada a ver com religião, direitos humanos, relações étnicas ou cultura. A questão diz respeito à unidade da nação contra as tentativas para separar o Tibete da China», acrescentou.

Yang Jiechi falou no Grande Palácio do Povo, em Pequim, numa conferência de imprensa organizada no âmbito da reunião anual da Assembleia Nacional Popular chinesa (parlamento), que decorre até à próxima sexta-feira.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros acusou o Dalai Lama de pretender «estabelecer o Grande Tibete», que ocuparia um quarto da China, e «expulsar do seu próprio território as forças armadas chinesas e os habitantes de outras etnias».

«Personalidade religiosa, o Dalai Lama?!... Que país aceitaria a separação de um quatro do seu território?», comentou Yang Jiechi.

Segundo o ministro chinês, «os países não deviam autorizar as visitas do Dalai Lama nem consentir as suas actividades».

«Não é um favor à China», disse.

O Tibete, um território cerca de 13 vezes maior que Portugal com apenas 2,3 milhões de habitantes, é uma das cinco Regiões Autónomas da Republica Popular da China.

A 10 de Março completa-se meio século da frustrada rebelião contra a administração chinesa, que levou ao exílio do Dalai Lama.

Trata-se de uma das regiões chinesas mais vulneráveis ao separatismo e há um ano (14 de Março de 2008) foi palco de violentos tumultos.