Os programas massivos de espionagem dos serviços de informação ameaçam a liberdade de opinião e as sociedades abertas, escreveu o ex-analista da NSA Edward Snowden num artigo publicado hoje na revista «Der Spiegel».

O ex-consultor informático, que divulgou programas de escutas da Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), considera que a vigilância massiva constitui um problema global que requer uma resposta global.

«Esses programas não são apenas uma ameaça contra a vida privada. Eles ameaçam a liberdade de opinião e das sociedades abertas», afirma Snowden no artigo publicado na revista alemã e divulgado pela Agência France Press (AFP).

Sob o título «Um manifesto para a verdade», a revista explica que Snowden escreveu o artigo na sexta-feira em Moscovo, que foi depois enviado para a sede da revista através de um canal encriptado.

As revelações de Snowden, publicadas em todo o mundo, têm provocado tensões entre Washington e alguns de seus principais aliados.

«Quem diz a verdade não comete nenhum crime», escreve.

Segundo o ex-consultor informático, alguns governos que inicialmente se sentiram «desmascarados» pelas revelações de espionagem, em seguida, lançaram «uma campanha sem precedentes de perseguição para impedir qualquer debate».

No entanto, o debate continua no mundo inteiro, sublinha Snowden, que está exilado na Rússia.

O deputado alemão dos Verdes Hans Christian Stroeble reuniu-se na quinta-feira, em Moscovo, com Snowden num local não revelado, após a publicação de documentos comprovativos de que a NSA tinha escutado ao telefone durante vários anos a chanceler alemã Angela Merkel.

Segundo Stroebele, Snowden expressou vontade em falar com as autoridades alemãs.

Edward Snowden é um ex-colaborador da NSA que tornou públicos detalhes de vários programas confidenciais usados pelos Estados Unidos para a vigilância eletrónica de governos em todo o mundo.