Notícia atualizada às 1:36

Portugal recusou terça-feira a aterragem para reabastecimento do avião do Presidente da Bolívia, Evo Morales, por «suspeitas infundadas» de que Edward Snowden, um informático que fugiu dos Estados Unidos, estava a bordo, afirmou o chefe da diplomacia boliviano.

Numa conferência de imprensa, David Choquehuanca, citado pela agência Efe, negou que Snowden estivesse a bordo e referiu que o avião de Morales, que regressava de Moscovo, pode aterrar em Viena.

A Lusa tentou contactar um assessor do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre este assunto, mas não obteve qualquer resposta.

Na conferência de imprensa de David Choquehuanca, citada pela Efe, o ministro afirmou que se cometeu «uma injustiça com suspeitas infundadas».

«Não podemos mentir à comunidade internacional levando passageiros fantasma, por isso queremos expressar o nosso incómodo porque se pôs em risco a vida de um Presidente. Vimos discriminação, querem seguramente amedrontar-nos», afirmou Choquehuanca.

O ministro disse que meia hora antes da aterragem prevista para Lisboa, as autoridades comunicaram ao avião de Morales que a autorização era anulada e que pouco depois receberam uma notificação de França proibindo o aparelho de sobrevoar o seu território.

«Não sabemos de onde veio essa informação mal intencionada, essa enorme mentira. Estamos a averiguar. Portugal e a França têm de nos dar explicações», acrescentou o ministro.

Numa entrevista a um canal de televisão russo, o Presidente da Bolívia afirmou-se disposto a estudar um possível pedido de asilo de Snowden, que tem estado refugiado num aeroporto de Moscovo.

Morales sem Snowden

O Presidente da Bolívia chegou terça-feira à noite ao aeroporto de Viena, proveniente de Moscovo, «mas sem Edward Snowden», indicou à agência France Presse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros austríaco.

«O Presidente Morales vai partir hoje [quarta-feira ]de manhã para La Paz», disse Alexander Schallenberg, acrescentando que as autoridades austríacas ignoram o motivo que levou o avião de Morales a aterrar em Viena.

Esta informação do Governo austríaco surge depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros da Bolívia, David Choquehuanca, ter afirmado em conferência de imprensa que Portugal recusou autorização de aterragem ao avião de Evo Morales para reabastecimento.

O ministro disse que antes da aterragem prevista para Lisboa, as autoridades comunicaram ao avião de Morales que a autorização era anulada.

Foi preparado um plano de voo alternativo para que o avião fosse para Espanha e foi autorizado o seu reabastecimento nas Canárias, mas pouco depois foi recebida uma notificação de França proibindo o aparelho de sobrevoar o seu território, explicou.

«Disseram que era por questões técnicas, mas depois de algumas comunicações com algumas autoridades, informaram-nos que havia suspeitas infundadas de que o senhor Snowden estaria a bordo», indicou.

«Não sabemos de onde veio essa informação mal intencionada, essa enorme mentira. Estamos a averiguar. Portugal e a França têm de nos dar explicações», acrescentou o ministro.

A Lusa tentou contactar um assessor do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre este assunto, mas não obteve qualquer resposta.

Há 10 dias, Sowden partiu de Hong Kong para Moscovo e não voltou a ser visto desde então.

Em Washington, a porta-voz da diplomacia norte-americana, Jennifer Psaki, afirmou terça-feira que os Estados Unidos têm «esperança» que Snowden possa regressar ao país e disse também que responsáveis norte-americanos estão «em contacto com vários países que poderiam ser locais de trânsito ou destinos finais» para o antigo consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA).