Quando o telefone toca, se nem sempre se pode escolher a música, é possível afinar a estratégia política pelo mesmo diapasão. Após três dias de negociações, a imprensa espanhola dá conta que foi com telefonemas, já na tarde de segunda-feira, que Rajoy e Rivera se entenderam.
Com apenas 32 deputados, por si só, os liberais do Cidadãos não teriam hipótese de incluir um dos seus na mesa do parlamento espanhol. Dependiam da boa vontade dos Populares de Mariano Rajoy, ou dos socialistas do PSOE.
Já o atual primeiro-ministro, contando com o apoio dos deputados do Cidadãos, praticamente garante a presidência da Mesa do Congresso, que deverá ser escolhida na terça-feira. E muito provavelmente, um apoio fundamental para formar o próximo governo, sem ser chumbado nas cortes espanholas.
Das últimas eleições, o PP conseguiu 137 deputados. Somados aos 32 do Cidadãos e ao mandato da Coligação Canária chegará aos 170 apoios. Apenas a seis da maioria absoluta. Ou de uma desejada abstenção do PSOE, na ótica de Mariano Rajoy.

Quem parte e reparte…

Com o acordo selado por telefone entre Mariano Rajoy e Albert Rivera, o PP garante a presidência da Mesa do Congresso e dois outros elementos. O Cidadãos, que por si só não poderia eleger ninguém, consegue a primeira vice-presidência e um lugar de vogal.
Contas feitas, os partidos de centro-direita conseguem cinco dos nove lugares da Mesa do Congresso, responsável pelo agendamento legislativo e dos debates na Câmara baixa espanhola.
Antes do acordo, Rivera pretendia que o PSOE de Pedro Sánchez fosse incluído no acordo. Já Mariano Rajoy terá até admitido ceder a presidência da Mesa do Congresso ao Cidadãos, desde que garantisse já o seu apoio parlamentar ao próximo governo.


Foram negociações duras”, segundo confidenciou uma fonte do Cidadãos ao jornal El Mundo.

Esquerda desunida

Com o acordo firmado, Rajoy conseguirá desde já assegurar que o congresso não será uma força de bloqueio ao governo, como sucedeu na última curta legislatura.
Para perder a maioria de elementos na Mesa do Congresso, seria necessário um consenso entre o PSOE e o Podemos de Pablo Iglésias e também os votos das restantes forças políticas, algumas nacionalistas, bascas e catalãs, num só candidato.
Sucede que, candidatos à esquerda há pelo menos dois. O PSOE insiste no atual presidente da Mesa do Congresso, Patxi López, e o Podemos avança com o nome de Xavier Domènech.
Pablo Iglesias até já tentou um acordo com os partidos nacionalistas para apoiar o seu candidato, mas sem grande sucesso aparente: os bascos do PNV deverão abster-se, tal como os catalães da Convergència e a Esquerda Republicana da Catalunha não terá gostado muito da ideia.
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