A Câmara de Tui, na Galiza, decidiu hoje criar um fundo de emergência para apoiar as famílias que viram as suas habitações destruídas na sequência da explosão, na quarta-feira, de um armazém de material pirotécnico.

Em comunicado, aquela autarquia da província de Pontevedra adiantou que poderá ainda vir a requerer ao Governo espanhol que a área afetada seja declarada zona de catástrofe, decisão que tomará quando estiver concluída a análise do relatório elaborado pelos técnicos municipais.

A explosão no armazém de material de pirotecnia "ilegal", situado na localidade de A Torre, Paramos, em Tui, provocou dois mortos e 26 feridos, destruiu cerca de 20 casas e provocou danos em mais de uma centena.

Na nota hoje enviada à imprensa, o município de Tui, na fronteira com Valença, no distrito de Viana do Castelo, anunciou ainda a criação de um gabinete urbanístico, "exclusivamente, dirigido aos afetados, que prestará apoio técnico e jurídico".

Aquela autarquia adiantou que os serviços sociais "continuam a trabalhar no realojamento das famílias que ficaram sem casa", apelando aos habitantes de Tui que tenham habitações desocupadas para as disponibilizaram para aluguer.

Segundo o comunicado, o Gabinete de Crise, composto por cerca de 30 elementos, entre eles representantes da autarquia, da Junta da Galiza e das forças de segurança, reuniu hoje "para acompanhar a situação e decidir os passos seguintes a tomar no apoio às famílias afetadas.

A estrutura, presidida pelo autarca de Tui, Carlos Vázquez Padín, "irá reunir semanalmente, e poderá vir a integrar elementos do Governo central".

Segundo o município, o Gabinete de Crise assinalou o reforço do dispositivo de segurança, que a partir de hoje à tarde passou a integrar elementos da Guardia Civil, que se juntaram ao efetivo policial que já se encontrava destacado naquela zona.

"As forças de segurança confirmaram que, até ao momento, não foi apresentada nenhuma queixa por roubo ou furto", sustentou.

Na nota, o município de Tui informou ter sido criada uma conta bancária para reunir donativos, um endereço eletrónico e uma linha telefónica para apoiar os afetados, nomeadamente, com informações sobre casas disponíveis para alugar.

Na sexta-feira, o tribunal de Pontevedra aplicou a medida de coação de apresentações quinzenais às autoridades ao proprietário do armazém de pirotecnia.

O homem foi detido após a explosão do armazém, alegadamente ilegal e foi presente na sexta-feira, cerca das 10:00 (hora portuguesa), a um juiz no tribunal de Pontevedra.

O homem é suspeito da prática dos crimes de homicídio por negligência, danos e lesões por negligência, risco de catástrofe na modalidade de risco provocado por explosivos e outros agentes.

De acordo com o jornal La Voz de Galicia, o proprietário da fábrica de pirotecnia La Gallega tinha guardado no armazém que explodiu mais de 1.500 quilos de substâncias explosivas.

O jornal galego adianta que, além daquele material explosivo, encontravam-se naquele armazém "muitas canas e tubos, assim como uma importante quantidade de combustíveis, tanto gasolina como gasóleo".

O impacto do rebentamento foi sentido a vários quilómetros de distância.