Uma espécie de geringonça à espanhola começa a funcionar. Custou, mas com meia dúzia de telefonemas, Mariano Rajoy chegou a acordo com Albert Rivera, na tarde de segunda-feira. No dia seguinte, conseguiram unir votos e ficar com a maioria na mesa do congresso espanhol.

A presidente eleita é Ana Pastor, até agora ministra do Fomento, responsável pelas áreas das obras públicas, transportes, comunicações. Médica de formação, tem 59 anos. Chegou a ministra da Saúde no último governo do PP de José María Aznar e é tida como próxima do atual líder do partido e primeiro-ministro, Mariano Rajoy.

Nas duas votações secretas realizadas no parlamento espanhol, nesta terça-feira, Ana Pastor conseguiu sempre 169 votos, contra os 155 do anterior presidente Patxi López, dos socialistas do PSOE.

O PP de Rajoy passa assim a presidir ao parlamento, com a presidente e mais dois elementos na mesa. Com o acordo firmado, os liberais do Cidadãos conseguem dois lugares, tantos quanto os dos dois maiores paridos de esquerda: o PSOE e o Podemos.

Esquerda sem tapete

Ao contrário do “casamento às direitas” entre PP e Cidadãos, à esquerda não houve entendimento possível. Tanto PSOE, como Podemos começaram por apresentar candidatos próprios à presidência do congresso.

Depois, na segunda volta, quando os 71 deputados ligados ao Podemos resolveram apoiar o candidato do PSOE, Patxi López, faltou-lhes aquele bocadinho assim: os nacionalistas, bascos, catalães, não seguiram essa tendência e votaram em branco.

Contas feitas, o candidato socialista e até aqui presidente do parlamento conseguiu 155 votos e Ana Pastor, do PP, 169. Não chegou à maioria absoluta de 176, mas chegou para ganhar.

Novo governo à vista

Analistas da política espanhola são unanimes em considerar que o acordo entre Populares e Cidadãos para a eleição da mesa do parlamento abre caminho a um apoio a Rajoy para formar novo governo.

Do lado do Cidadãos, continua a dizer-se que o acordo firmado serviu apenas para conseguir eleger dois elementos seus para a mesa do congresso. Caso contrário, o partido de Albert Rivera não teria hipóteses de conseguir qualquer lugar. Mas o desejo de chegar ao poder também existe.

Ainda assim, uma possível abstenção ou voto favorável do Cidadãos ao próximo governo de Rajoy começa a desenhar-se, mesmo que este possa ficar a seis votos da maioria absoluta, ao congregar apenas 170 deputados.

Pela parte do PP, afiança-se que Rajoy só avançará na formação de um novo governo com os apoios tidos por suficientes, o que pode até ser conseguido com uma abstenção dos socialistas.

Cabe agora ao rei Felipe VI, voltar a convocar os partidos para comprovar se algum tem possibilidade de formar governo. Mariano Rajoy quer continuar primeiro-ministro de Espanha e deseja ser investido no início de agosto.