O único debate televisivo com os quatro principais candidatos a liderar o executivo espanhol foi esta segunda-feira, em Madrid, dominado por um ataque cerrado contra o candidato do PP, Mariano Rajoy, e as políticas que promoveu nos últimos anos.

As coisas hoje estão melhores [do que há quatro anos]. [Os outros candidatos] não querem reconhecer isso, porque não. Deviam estudar melhor as matérias”, contra-atacou o presidente do governo de gestão espanhol e líder do PP (Partido Popular), Mariano Rajoy no final da primeira parte do debate, dedicada à discussão de temas de economia e emprego.

O líder do PP recebeu críticas de todos os outros candidatos, sem que existam, no entanto, garantias de que alguma coisa vá mudar após as eleições, isto é, que os outros partidos tenham intenções de se coligar para formar um Governo.

Desde logo, o líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Pedro Sánchez, não conseguiu evitar algumas críticas a Pablo Iglesias, candidato do Unidos Podemos (uma coligação de radicais de esquerda, comunistas, ecologistas e partidos regionais) que as últimas sondagens indicam que ultrapassou os socialistas nas intenções de votos.

Iglesias, acusado por Sánchez de ser o responsável por ainda não haver um Governo de esquerda, por ter dificultado as negociações nos últimos cinco meses, continua a ver apenas duas soluções para a formação de um Governo: uma aliança com o PSOE, ou um Governo maioritário do PP, já que o Podemos não apoiará este partido.

Albert Rivera, do Ciudadanos, também deixou críticas ao PP, afirmando que uma taxa de desemprego de 20% não pode ser motivo de orgulho, mas atacou, igualmente, o Podemos, que na sua visão quer tirar a Espanha da União Europeia.

Rajoy não tem dúvidas, uma aliança de Governo só poderá funcionar com forças políticas “sensatas”: o PSOE, de Pedro Sánchez, ou com o Ciduadanos, de Albert Rivera. Opinião que não é partilhada pelo líder do PSOE, que rejeita um Governo com o PP.

As eleições de 26 de junho foram convocadas depois de vários meses de negociações falhadas entre os principais partidos espanhóis, que não conseguiram chegar a um acordo para um Governo de maioria após as eleições de dezembro. Tudo indica, porém, que o impasse se deverá repetir, já que os candidatos parecem manter as mesmas convicções quanto a alianças.

Há, contudo, uma diferença desde as últimas eleições. O partido de esquerda Unidos Podemos deverá conseguir o segundo lugar neste sufrágio, ficando à frente do PSOE, o que deverá inverter os papéis nas negociações à esquerda. Se assim for, será Sánchez a tentar negociar com Iglesias e não o inverso.

Uma sondagem da Metroscopia, publicada no El País, atribui 28,9% das intenções de voto ao PP, 25,4% ao Unido Podemos, 20,8% ao PSOE e 15,9% ao Ciudadanos.