A detenção de Ana Julia Quezada, a madrasta de Gabriel, o menino que foi encontrado morto na bagageira de um carro, em Espanha, levou as autoridades espanholas a investigarem o passado da mulher. A polícia descobriu que uma menina de quem a mulher cuidava, e que morreu por, supostamente, ter caído de uma janela, era, afinal, sua filha.

De acordo com a imprensa espanhola, Ana Julia viveu quase 20 anos na província espanhola de Burgos, com o companheiro da altura. Mudou-se para Almería anos depois, e era lá que residia com o pai de Gabriel, Ángel Cruz.

Há 22 anos, um suposto acidente numa varanda acabou por se revelar fatal, uma vez que tirou a vida a uma menina que estaria aos cuidados de Ana Julia. A polícia descobriu agora que esta menina era, afinal, sua filha.

Ana Julia Quezada (Reprodução Facebook)

O caso, que na altura foi tratado como morte acidental, e que estava arquivado pela polícia há vários anos, está agora a ser novamente investigado, para que se possa perceber se há ou não algum tipo de relação com a morte de Gabriel. 

Recorde-se que o corpo de Gabriel Cruz estava desaparecida desde 27 de Fevereiro, na zona de Almería, em Espanha, e foi encontrado pelas autoridades policiais, este domingo, no porta-bagagens do carro desta mulher.

Ana Julia Quezada já estava debaixo de olho das autoridades espanholas, depois de ela ter alegadamente descoberto a única pista da investigação - uma camisola interior branca - num local a poucos quilómetros do local do desaparecimento e que já tinha sido passado a pente fino pelas autoridades, sem que nada tivesse sido descoberto. O achado acabou por levar as autoridades a suspeitaram que a camisola foi lá colocada dias depois. 

Ainda de acordo com o El Mundo, as autoridades espanholas não descartam a hipótese Ana Julia não ter agido sozinha e de haver outros envolvidos na morte de Gabriel. 

Quando às motivações para o crime que está a chocar a Espanha, as autoridades trabalham com duas hipóteses principais: Ana Julia pode ter agido por motivos passionais, por ciúmes da relação que a criança tinha com o pai, ou porque simplesmente tinha uma má relação com Gabriel, mas pode também ter-se tratado de um sequestro com motivações económicas, que terminou da pior maneira, ou seja, a suspeita pode ter agido em função do dinheiro que eventualmente poderia receber de um eventual resgate, que nunca chegou a ser pedido.